Guia para grávidas

9 minutos de leitura

Será que estou grávida?

O sintoma mais frequente é a ausência de menstruação. O aumento de volume das mamas e tensão mamária também podem indicar uma gravidez.

A confirmação das suspeitas deve ser feita através de um teste de gravidez, nos primeiros dias após a ausência de menstruação.

Depois da confirmação é importante marcar a primeira consulta médica de vigilância, com a brevidade possível. Aconselhe-se junto dos profissionais de saúde nas decisões que tomar ou nas dúvidas que surgirem relacionadas com este novo projeto de vida.

Quando é que o meu bebé vai nascer?

Se não houver qualquer problema que antecipe o parto, a criança nasce normalmente por volta da quadragésima (40.ª) semana de gestação ou 9 meses após a fecundação.

Quais são as alterações normais da gravidez no meu corpo?

Para além do aumento da barriga, existem outras mudanças físicas no corpo da futura mãe:

  • maior cansaço e/ou sonolência no começo da gravidez
  • náuseas e vómitos, sobretudo logo de manhã
  • seios mais volumosos e mamilos mais sensíveis
  • maior pigmentação na aréola do mamilo e aumento da sensibilidade do mesmo, sendo normal o eventual aparecimento de leite no final da gravidez
  • aparecimento de uma linha escura na barriga que desaparece ao longo da gravidez
  • manchas escuras na cara (cloasma)
  • prisão de ventre (obstipação)
  • necessidade de urinar mais vezes (sobretudo no início e fim da gravidez)
  • aparecimento de varizes
  • dores nas costas (sobretudo no final da gravidez)

É natural existirem alterações ao nível psicológico, sobretudo no primeiro e último trimestre:

  • maior sensibilidade
  • insegurança
  • ansiedade
  • preocupação

A quantas consultas devo ir?

Geralmente, numa gravidez normal o mínimo são seis consultas. A primeira deve ser antes das 12 semanas (idealmente pelas 8 semanas). Após a avaliação poderá ser conveniente que a frequência das consultas seja superior.

Nestas consultas são requisitadas diversas análises e, habitualmente, uma ecografia por trimestre. Será também realizada educação para a saúde para promoção de estilos de vida saudável e melhor conhecimento sobre a evolução da gravidez. Se houver risco de complicações (doenças associadas como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares, endócrinos ou infeções, se é fumadora ou obesa, se tem antecedentes de abortos espontâneos repetidos, se é menor de 16 anos ou maior de 35 anos), provavelmente será referenciada para a consulta hospitalar.

Ser-lhe-á entregue um pequeno livro, o Boletim de Saúde da Grávida, que servirá para anotar todas as informações relacionadas com a sua gravidez. Este livro deverá acompanhá-la sempre.

Quais são os sinais de alerta durante a gravidez?

Deve dirigir-se, imediatamente, ao centro de saúde ou urgência da maternidade se tiver:

  • sangramento vaginal ou perda de líquido pela vagina (mesmo que em pequena quantidade)
  • corrimento vaginal com comichão, ardor ou cheiro não habitual
  • dor abdominal/pélvica contínua
  • arrepios ou febre (superior a 37,8º C)
  • dor ou ardor ao urinar ou sensação que não consegue parar de urinar ou presença de sangue na urina
  • vómitos persistentes
  • dor de cabeça forte ou contínua
  • perturbações da visão
  • subida da tensão arterial
  • aumento acentuado do peso num curto espaço de tempo
  • inchaço repentino dos pés, mãos ou rosto
  • diminuição dos movimentos fetais

Como fazer a contagem dos movimentos fetais?

Os movimentos do bebé são um excelente indicador do seu estado de saúde. Cada bebé tem o seu padrão de movimento e as mães têm a habilidade de saber analisá-lo melhor do que ninguém.

Comece a contar os movimentos do bebé quando se levanta ( por exemplo às 9h00). Quando registar os 10 conjuntos de movimentos anote um “X” no seu livro de gravidez na quadrícula correspondente à hora em que concluiu a contagem. Se tiverem passado 12 horas e não tiver atingido os 10 movimentos, assinale, abaixo da linha vermelha, o número de movimentos contados e dirija-se à urgência da maternidade ou contacte imediatamente o seu médico ou enfermeiro.

Como me devo alimentar?

É essencial ter uma alimentação correta. Deve ser diversificada e com qualidade, não sendo necessário, nem aconselhável, um aumento da quantidade de alimentos.

Os alimentos recomendáveis são:

  • ovos
  • peixe gordo
  • carnes brancas ou vermelhas
  • ervilhas
  • feijão
  • grão
  • favas
  • lentilhas
  • leite
  • queijo
  • iogurtes
  • vegetais
  • fruta
  • líquidos (água, infusões, sopa)

Os alimentos que devem ser evitados:

  • leite e lacticínios não pasteurizados
  • queijo fresco
  • requeijão
  • queijos mal curados
  • enchidos e fumados
  • marisco
  • enlatados
  • peixes com alta concentração de mercúrio (peixe-espada, cação, espadarte, tamboril, tintureira)
  • carne, peixe e ovos mal cozinhados
  • patês
  • alimentos e bebidas doces
  • alimentos com excesso de sal ou com aditivos
  • café, chá e refrigerantes com cafeína
  • bebidas energéticas

Devem existir cuidados acrescidos quanto aos alimentos crus, visto que podem ser portadores de infeções como a toxoplasmose e a salmonelose, devendo, por isso, ser cozinhados de forma simples ou muito bem lavados.

É recomendado fazer um suplemento de:

  • ácido fólico no 1º semestre da gravidez
  • ferro no 2º e 3º trimestres
  • iodo durante toda a gravidez e amamentação

Qual é a roupa mais adequada para usar?

A roupa deve ser prática, confortável, de preferência de fibras naturais (algodão e linho), bem como adequada ao aumento do volume do abdómen. Para além disso:

  • evite o uso de roupa apertada
  • prefira soutiens de alças largas
  • pode usar uma cinta de grávida após o 5º mês de gestação
  • utilize sapatos cómodos, confortáveis, sem solas escorregadias ou saltos altos
  • prefira sapatos com cunha ou salto médio, largo

Posso fazer exercício físico?

Sim, desde que seja de uma forma moderada e a sua gravidez não tenha complicações, tais como doenças ou outras situações de risco. Não ultrapasse os 45 minutos de exercício e reduza o esforço à medida que a gravidez avança.

Deve, contudo, evitar desportos de contacto, radicais e de movimentos bruscos.

Existem alguns centros de saúde e hospitais que oferecem programas de exercício físico à grávida durante a gravidez.

Posso ter relações sexuais enquanto estou grávida?

Sim, desde que seja confortável para o casal.

Só deverá haver restrição se surgirem complicações como hemorragia vaginal e ameaça de parto pré-termo, por exemplo.

As infeções sexualmente transmissíveis contraídas durante a gravidez, como por exemplo VIH/SIDA e Sífilis, acarretam complicações graves para a grávida e para o bebé. É bastante importante que tanto a grávida como o seu companheiro tenham um comportamento sexual responsável.

Como devo cuidar da minha higiene?

Para cuidar da sua higiene deve:

  • tomar duche com regularidade (evite água muito quente e termine com água mais fria para diminuir o risco de varizes)
  • evitar fazer depilação com cera quente
  • usar creme hidratante no corpo, em especial no abdómen e mamas
  • evitar produtos perfumados ou com corantes
  • escovar os dentes depois de cada refeição ou pelo menos duas vezes por dia
  • preferir uma escova de dureza média e pasta de dentes com flúor
  • evitar alimentos açucarados, principalmente nos intervalos das refeições
  • ir a uma consulta de dentista no início da gravidez ou entre o 4º e o 6º mês

O SNS disponibiliza às grávidas, gratuitamente, até três cheques dentista para serem usados até 60 dias após o parto. Solicite-os ao seu médico de família.

Há proibições na gravidez?

O tabaco, o álcool e drogas são produtos muito prejudiciais para o futuro bebé, devendo por isso ser proibidos durante a gravidez.

Também no decorrer da gravidez, os medicamentos têm de ser indicados pelo médico, caso contrário podem ter consequências tanto na mãe como no bebé.

O parto é doloroso?

Um parto saudável e normal é acompanhado de dor.

Porém existem vários métodos que aliviam a dor durante o parto:

  • uso de medicamentos orais, injetáveis
  • epidural

Para a realização de epidural será solicitado à grávida o seu consentimento por escrito.

Para além destes, existem também outras formas de atenuar a dor de forma natural:

  • utilização de bola de pilates
  • massagens
  • deambulação
  • hidroterapia
  • aromoterapia
  • musicoterapia

Os cursos de preparação para o parto e parentalidade poderão ser uma boa opção para o esclarecimento de dúvidas e redução da ansiedade. Informe-se no seu Centro de Saúde ou Maternidade. A parturiente, se desejar, pode estar acompanhada pelo companheiro ou alguém da sua confiança.

A elaboração de um plano de parto, com instruções simples e exequíveis, poderá ser uma ferramenta valiosa para os profissionais de saúde, pois facilita a assistência individualizada e o envolvimento do acompanhante nos cuidados.

Quais são os sinais de que o parto se aproxima?

O momento do parto pode estar próximo quando:

  • nota a descida da barriga
  • ocorre a saída do rolhão mucoso (uns dias antes do início de trabalho de parto ou apenas algumas horas antes do mesmo, existe uma expulsão, pela vagina, de um muco gelatinoso, rosado ou acastanhado)
  • há rutura da bolsa de águas (membranas) que se manifesta com a saída do líquido amniótico claro e transparente pela vagina
  • contrações uterinas regulares (endurecimento abdominal associado a dor, que se vai intensificando e ficando cada vez mais frequente, até se tornar regular)

Como decorre o parto?

O parto normal é constituído por três etapas: dilatação, expulsão e dequitadura.

Na dilatação, o colo do útero (por onde o bebé passa) começa a dilatar-se até atingir os 10 cm. As contrações são cada vez mais regulares e próximas. Durante a contração, a mãe deve inspirar profundamente pelo nariz e deitar o ar fora pela boca. Quando a contração terminar, deve inspirar e expirar lenta e profundamente, relaxando e recuperando o mais possível.

Na expulsão, o bebé sai naturalmente pela vagina. Poderá ser necessário ajudar o bebé a sair com recurso a fórceps ou ventosa, ou realizar um corte na vagina. A grávida deverá, em cada contração, inspirar profundamente e depois não deixar sair o ar enquanto faz força. Quando a contração passa, deixa de fazer força e expira, aproveitando para descontrair e recuperar até à contração seguinte.

Na dequitadura, a placenta e as membranas que envolverem o bebé são expulsas algum tempo após o nascimento.

No caso de ser necessária a cesariana, o médico informa os motivos desta intervenção cirúrgica e pede o consentimento da grávida por escrito.

O que devo levar para a maternidade?

Para a mãe:

  • camisa de dormir aberta à frente
  • roupão
  • chinelos (duche e quarto)
  • produtos de higiene pessoal
  • cuecas, preferencialmente descartáveis

Para o bebé:

  • fraldas descartáveis/reutilizáveis
  • babygrows ou conjuntos de camisa e calças com pé
  • conjuntos de camisas interiores de algodão
  • manta ou envolta

O uso da chupeta pode prejudicar a adaptação inicial do bebé à amamentação, pelo que não deve ser levada para o hospital.

Deve informar-se junto do hospital/maternidade onde pensa que irá ocorrer o parto, para saber o que será necessário levar consigo.

Quanto tempo dura o internamento?

O internamento oscila entre 48 e 72 horas. O período de internamento varia tendo em conta os cuidados que sejam necessários ter com a mãe e/ou com o bebé.

O que é o programa Janela Aberta à Família?

O programa Janela Aberta à Família é um projeto público e gratuito da responsabilidade conjunta da Direção-Geral da Saúde. Pretende ajudar os pais nos cuidados pré-natais e nos cuidados após o nascimento do bebé.

Como posso inscrever-me no programa Janela Aberta à Família?

Pode inscrever-se no programa Janela Aberta à Família através do preenchimento do destacável próprio para o efeito e entregando-o no serviço onde é seguida.

Aos pais que já têm filhos ou que, por alguma razão, não tiveram acesso a esta brochura, podem inscrever-se através do programa Janela Aberta à Família.

Ao inscrever-se receberá periodicamente e de forma gratuita, informação adaptada à fase de crescimento do seu futuro bebé.

Pode fazer o download do Guia para as Grávidas.

 

Fonte: Direção-Geral de Saúde – RISCAR (DGS/RISCAR)

Ver temas relacionados

Feedback Sim

Feedback Não