Quimioterapia

O que é a quimioterapia?

A quimioterapia é um tratamento que consiste na administração de fármacos (citostáticos) que destroem as células cancerígenas ou impedem a sua multiplicação, através da interferência com os processos de crescimento e divisão das mesmas.

Por ser um tratamento sistémico, atua em todo o corpo, o que permite tratar tanto o tumor principal como eventuais células que tenham disseminado para outros órgãos.

A quimioterapia pode ser administrada:

  • oralmente (comprimidos)
  • via endovenosa (a mais comum): esta via consiste na administração através de um cateter colocado numa veia; por vezes é utilizado um cateter como o Port-a-Cath (um pequeno reservatório inserido sob a pele), que evita punções repetidas e menor risco de lesões nas veias do braço

Antes de iniciar, a equipa médica avalia o seu estado geral através de análises e exames, adequando o tratamento aos seus antecedentes de saúde. A dose é calculada rigorosamente com base no seu peso e altura.

A maioria dos tratamentos é realizada em regime de ambulatório, onde o doente permanece sentado ou deitado durante a perfusão. A duração de administração pode variar entre 1 e 8 horas, consoante o protocolo de tratamento estabelecido. Antes de iniciar a perfusão de quimioterapia, o doente recebe hidratação e podem ser administrados medicamentos para prevenir efeitos secundários como as náuseas ou reações alérgicas.

Quais os principais objetivos da quimioterapia?

A quimioterapia pode ter objetivos distintos, consoante o estádio do cancro:

  • quimioterapia neoadjuvante: administrada antes da cirurgia ou da radioterapia. Tem como objetivo diminuir o tamanho do tumor para tornar a cirurgia exequível ou permitir uma remoção mais eficaz da massa tumoral. Desta forma, permite reduzir a “carga tumoral”, ou seja, o número de células tumorais existentes
  • quimioterapia adjuvante: administrada após um tratamento com intuito curativo (por exemplo, cirurgia ou radioterapia). O objetivo é evitar a possível disseminação de micrometástasese recorrência da doença, através da destruição das células tumorais ainda existentes
  • quimioterapia paliativa: administrada quando o tumor já está numa fase avançada, por crescimento local do tumor ou metastização em órgãos além do tumor de origem. O seu objetivo é controlar a progressão da doença e aliviar a sintomalogia, não apresentando um intuito curativo

Quais os efeitos secundários da quimioterapia?

A quimioterapia pode também afetar as células saudáveis, de renovação rápida, como as do sangue, cabelo e mucosa digestiva.

Ao interferir com as células saudáveis, a quimioterapia pode levar ao aparecimento de efeitos indesejáveis. Estes variam em frequência e intensidade consoante o tipo de tratamento, as doses administradas e a própria resposta individual de cada doente. Embora a maioria destes efeitos seja temporária e desapareça após a conclusão do tratamento, a sua monitorização é fundamental.

Os efeitos secundários mais frequentes são:

  • cansaço extremo (fadiga)
  • enjoos (náuseas), vómitos e alteração do paladar
  • diarreia
  • formigueiros ou dormências nas extremidades (neuropatia)
  • queda de cabelo (alopecia)
  • aftas ou inflamação na boca (mucosite)
  • diminuição do apetite e aversão a cheiros
  • anemia (diminuição dos glóbulos vermelhos do sangue)
  • neutropenia (diminuição dos glóbulos brancos – células sanguíneas que protegem o organismo das infeções), aumentando o risco de infeções

Quando devo contactar a equipa de saúde?

Deve procurar ajuda médica imediata se apresentar:

  • febre igual ou superior a 38°C (sinal mais crítico e requer avaliação urgente)
  • arrepios, tremores súbitos ou sensação de desmaio
  • dificuldade respiratória ou dor no peito
  • vómitos ou diarreia persistentes que impedem a alimentação/hidratação
  • surgimento de manchas na pele, nódoas negras ou sangue na urina/fezes sem causa aparente
  • dor, inchaço ou vermelhidão no local do cateter ou no braço

Fonte: Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO)

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