Doação de células

6 minutos de leitura

O que é um transplante de medula óssea?

O transplante de medula óssea consiste na transfusão no doente de células progenitoras retiradas da medula óssea do dador, com o intuito de substituir as células doentes do recetor, formando-se novas células saudáveis.

Estes transplantes estão indicados em doenças congénitas ou adquiridas, tais como leucemias agudas ou crónicas, aplasias medulares, imunodeficiências, entre outras.

Só se pode doar medula óssea uma vez?

Não. A medula é um tecido que se regenera rapidamente, pelo que é possível fazer mais do que uma dádiva.

Quem paga o processo de doação de medula óssea?

Todos os procedimentos médicos que envolvem a doação são suportados pelo subsistema de saúde do doente, bem como as viagens e outros custos não médicos (como é o caso da alimentação e alojamento). Os únicos custos que poderão vir a ser imputados ao dador são os referentes ao tempo que necessita despender no processo de doação.

Pode um dador desistir do processo após saber que é compatível com um doente?

Sim. Como voluntário, o dador não tem qualquer tipo de obrigação legal, podendo desistir a qualquer momento. Contudo, deve ter-se em conta que uma mudança de atitude no final do processo pode ser fatal para um doente que está a fazer preparação para o transplante.

Qual a probabilidade de encontrar um dador compatível?

Considerando todas estas abordagens, aproximadamente 80% de todos os doentes têm, pelo menos, um potencial dador compatível.

No entanto, é preciso notar que nem todos os doentes para os quais foi identificado um dador idêntico chegam à fase do transplante.

O que é o sangue do cordão umbilical?

O sangue do cordão umbilical é o sangue existente nos vasos da placenta e no cordão umbilical, habitualmente rejeitado mas que pode ser colhido após o nascimento.

O sangue do cordão umbilical é rico em células que por se apresentarem num estado muito imaturo, têm uma elevada capacidade de se dividirem, de autorrenovação (células progenitoras hematopoiéticas) e com o potencial para dar origem a todas as células constituintes do sangue.

Para que serve o sangue do cordão umbilical?

A dádiva de sangue do cordão umbilical tem como principal objetivo a realização de um transplante de qualquer doente do mundo que dele precise e que seja compatível.

Este tipo de células é atualmente utilizado no tratamento de doentes com diferentes tipos de cancro, tais como leucemias, linfomas e outras doenças associadas ao sangue ou ao sistema imunitário.

Em caso de a colheita não ser usada para transplante, poderá ser utilizado para outras alternativas terapêuticas ou para investigação, sendo possível inutilizá-lo se não cumprir os requisitos técnicos mínimos.

Se a doença se manifestar em idade adulta a unidade de sangue cordão umbilical pode ser usada?

A quantidade de células que se consegue colher numa unidade de sangue do cordão é relativamente pequena. Para crianças mais velhas e com mais peso, as unidades armazenadas não possuem um número suficiente de células, tornando-se necessário recorrer a outros dadores compatíveis.

Esta busca por um dador compatível é possível através da pesquisa em bases de dados partilhadas pelos Bancos internacionais (que armazenam unidades para utilização alogénica), de modo semelhante ao que acontece com as bases de potenciais dadores de medula óssea (CEDACE).

Quem pode doar sangue do cordão umbilical para o Banco Público de Células do Cordão Umbilical?

Qualquer grávida sem antecedentes de comportamentos ou fatores de risco ou de doenças congénitas pode ser candidata a dadora de sangue de cordão umbilical.

Onde posso doar sangue do cordão umbilical?

A colheita de sangue de cordão umbilical para o Banco Público de Células do Cordão Umbilical (BPCCU) é efetuada nos hospitais ou maternidades autorizados e com os quais o BPCCU celebrou protocolos de colaboração. A colheita é realizada desde que seja tecnicamente possível e não represente qualquer risco para o recém-nascido ou para a mãe.

Atualmente a dádiva de sangue do cordão umbilical para o BPCCU ocorre nas seguintes maternidades (unidades de colheita):

  • Centro Hospitalar de São João – Porto;
  • Maternidade Júlio Dinis – Centro Hospitalar do Porto;
  • Hospital Pedro Hispano – Unidade Local de Saúde de Matosinhos;
  • Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca.

A dádiva de sangue do cordão umbilical afeta os normais procedimentos do parto?

A dádiva de sangue do cordão umbilical (SCU) é completamente segura para a mãe e para o recém-nascido, não altera quaisquer procedimentos associados ao parto.

A dádiva ocorre apenas após o nascimento e não requer a colheita de amostras de sangue ao bebé (será solicitada uma amostra de sangue materno após o parto).

Tenho de pagar para doar sangue do cordão umbilical?

Nao. A doação para o Banco Público de Células do Cordão Umbilical não se traduz em quaisquer encargos para a dadora, sendo assim, totalmente gratuito.

O BPCCU é responsável pelos encargos associados à colheita, processamento, análise, criopreservação, e armazenamento das unidades doadas.

Ao realizar a dádiva de sangue do cordão umbilical para o BPCCU, a unidade é sempre armazenada, ficando disponível para transplante?

Sim, se a unidade colhida preencher todos os requisitos de qualidade e segurança, nacionais e internacionais.

A unidade de sangue de cordão destinada a transplante deve conter um número de células suficiente para que o transplante resulte, assim como devem preservar a sua capacidade de enxerto.

Se a unidade não apresentar as características exigidas por estes padrões poderá vir a ser utilizada em investigação ou rejeitada.

Se a gravidez for gemelar (gémeos) pode-se doar sangue do cordão para o Banco Público de Células do Cordão Umbilical?

Não, uma vez que o volume de sangue obtido de cada placenta é inferior ao habitualmente colhido em nascimentos individuais e insuficiente para realizar transplantes aos doentes que requerem desta terapêutica.

Pode-se colher, em simultâneo, para o banco público e para o privado?

Não é possível doar simultaneamente para o público e para o privado. Para além do volume de sangue colhido em cada parto ser limitado e não permitir obter uma unidade com células suficientes para utilizar em transplante de progenitores hematopoiéticos, o BPCCU não aceita dádivas partilhadas com outros bancos.

Os critérios para doar aos Bancos privados são diferentes dos critérios para doar ao Banco Público.

Os profissionais de saúde podem doar sangue do cordão umbilical?

Nem todos os profissionais de saúde estão excluídos como dadores. No entanto, algumas funções desempenhadas por estes profissionais são consideradas de risco por terem contacto com doentes ou produtos biológicos potencialmente infetados com agentes não detetáveis pelos testes laboratoriais atualmente disponíveis.

Como é afetada a privacidade da mãe e a do bebé após a dádiva de sangue do cordão umbilical?

O BPCCU mantém confidenciais todos os registos de dados associados.

A grávida é informada se a unidade foi preservada ou não?

O dador não é informado a quem os componentes sanguíneos foram transfundidos, ou a dádiva de órgãos, onde a família do dador não sabe quem foram os recetores dos órgãos.

Não obstante, a dadora será contactada caso sejam detetadas alterações nas análises realizadas à unidade e nas amostras doadas, ou no caso de virem a ser necessários testes adicionais.

Fonte: IPST (adaptado)

 

Ver temas relacionados

Feedback Sim

Feedback Não