Condição pós-COVID-19

( Atualizado a 28/03/2022 )

3 minutos de leitura

O que é a condição pós-COVID-19?

A condição pós-COVID-19 é definida pelo conjunto de sintomas tardios em algumas pessoas com história provável ou confirmada infeção por SARS-CoV-2, habitualmente 3 meses após início da fase aguda e com, pelo menos, 2 meses de duração. Os sintomas podem desenvolver-se durante ou após a infeção aguda por SARS-CoV-2.

Quais os principais sintomas desta condição?

Os sintomas mais frequentes na condição pós-COVID-19 incluem:

  • fadiga
  • dispneia / dificuldade respiratória, sem outra causa atribuível
  • alterações do olfato
  • alterações do paladar
  • depressão
  • ansiedade
  • disfunção cognitiva

Os sintomas podem desenvolver-se durante ou após a infeção aguda por SARS-CoV-2 e apresentam impacto na qualidade de vida da pessoa.

O que se entende por infeção aguda por SARS-CoV-2?

A infeção por SARS-CoV-2 é definida pelas primeiras quatro semanas após o início da doença. Ou seja, é definido por:

  • primeiro dia de sintomas, nas pessoas sintomáticas
  • data do teste laboratorial para SARS-CoV-2 que confirmou o diagnóstico, nas pessoas sem sintomas ou incapazes de identificar o dia de início de sintomas

Como é feito o diagnóstico desta condição?

O diagnóstico é clínico e deve ser considerado quando existe forte suspeita, mesmo na ausência de história de teste para SARS-CoV-2 positivo. Tem como principais objetivos o reconhecimento, o mais cedo possível, dos sintomas e sinais sugestivos de complicações graves e ameaçadoras da vida e uma recuperação sintomática e funcional.

Os utentes que, aquando do fim das medidas de isolamento apresentem risco de evolução para a condição pós-COVID-19 devem realizar uma avaliação clínica, preferencialmente por teleconsulta, entre as 4 a 6 semanas após o início da fase aguda.

Quais os utentes que podem ser considerados para abordagem diagnóstico desta condição pós-COVID-19?

O modelo de abordagem à condição pós-COVID-19 aplica-se aos utentes com:

  • diagnóstico confirmado de COVID-19, que, durante a fase aguda:
    • estiveram em autocuidados no domicílio
    • foram acompanhados pelos Cuidados de Saúde Primários
    • foram referenciados às unidades de Cuidados de Saúde Primários após alta hospitalar por COVID-19
  • forte suspeita clínica, mesmo na ausência de teste para SARS-CoV-2 positivo

A vacina contra a COVID-19 não impede o desenvolvimento desta condição?

A vacinação contra a COVID-19 demonstrou ser eficaz na redução sintomática e gravidade da fase aguda (menor número de sintomas e risco de hospitalização) bem como na duração dos sintomas após fase aguda. Alguns dados recentes, apontam para a existência de eficácia na redução da probabilidade de desenvolver esta condição pós-COVID-19.

Como deve ser feita a retoma às atividades de vida diária?

A retoma progressiva às atividades de vida diária deve ter em conta diferentes níveis:

  • Cuidados de saúde gerais:
    • alimentação suficiente e saudável
    • hidratação abundante
    • hábitos de sono e descanso adequados
    • limitar o consumo de álcool e evitar o tabaco
  • Atividade física:
    • iniciar a ritmo próprio e aumento gradual de intensidade, conforme tolerância
    • nos desportistas, iniciar com exercícios de alongamento, fortalecimento muscular e marcha
    • aumentar os períodos de descanso entre exercícios
    • evitar exercícios de intensidade elevada
    • na presença de exacerbação de sintomas pós-esforço, é recomendado utilizar estratégias de conservação de energia
  • Redes de suporte e apoio:
    • manter contactos frequentes com familiares e amigos
    • estabelecer contactos com redes de apoio e suporte social, nomeadamente na comunidade
  • Retoma às atividades de vida:
    • retomar progressivamente as atividades de vida diária, incluindo emprego / ocupação
    • definir metas atingíveis a curto, médio e longo prazos

Fonte: Direção-Geral da Saúde

Ver temas relacionados