Vacina COVID-19

( Atualizado a 18/01/2022 )

22 minutos de leitura

Qual o principal objetivo da vacinação COVID-19?

A vacinação contra a COVID-19 surge como uma resposta central e de reforço, a par das respostas já existentes, tendo como objetivo prevenir o surgimento de doença grave e das suas consequências, reduzindo a pressão exercida sobre o sistema de saúde.

Em Portugal existe um plano de vacinação?

Sim. O Plano de Vacinação COVID-19 foi apresentado no dia 3 de dezembro de 2020, estando a execução do mesmo a cargo do Serviço Nacional de Saúde. O plano é atualizado à medida que mais informação fica disponível – a primeira atualização ao plano foi divulgada a 17 de dezembro de 2020.
O Plano de Vacinação contra a COVID-19 assenta em valores de universalidade, gratuitidade, aceitabilidade e exequibilidade, tendo como objetivos de saúde pública:

  • salvar vidas, através da redução da mortalidade e dos internamentos e da redução dos surtos, sobretudo nas populações mais vulneráveis
  • preservar a resiliência do sistema de saúde, do sistema de resposta e do Estado

Neste momento, a estratégia de vacinação, com o objetivo de salvar vidas, é a seguinte:

Na fase 1, está recomendada a vacinação, em paralelo, das seguintes pessoas:

  • profissionais, residentes e utentes em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), instituições similares e Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI)
  • 80 ou mais anos de idade
  • 50 a 79 anos de idade com, pelo menos, uma das patologias:
    • insuficiência cardíaca e doença coronária:
      • insuficiência cardíaca
      • miocardiopatias
      • hipertensão pulmonar
      • doença coronária sintomática
      • enfarte agudo do miocárdio
    • insuficiência renal crónica:
      • insuficiência renal em hemodiálise
      • insuficiência renal estadio III e IV
    • doença pulmonar crónica:
      • doença respiratória crónica sob OLD ou ventiloterapia (excluindo as pessoas com síndrome da apneia/hipopneia do sono)
      • doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)
      • bronquiectasias, fibrose quística, fibrose pulmonar
  • 16 ou mais anos de idade e Trissomia 21

Na fase 2, está recomendada a vacinação, em paralelo, das seguintes pessoas:

  • 12 ou mais anos de idade, com patologias de risco acrescido:
    • as pessoas entre os 12 e os 15 anos devem ser vacinados com a vacina Comirnaty®, de acordo a norma da DGS45
    • a vacinação dos adolescentes com história de Síndrome Inflamatório Multissistémico deve ser avaliada caso-a-caso pelo médico assistente
    • os menores de 16 anos só podem ser vacinados desde que esteja presente o(s) progenito(es) ou o tutor legal do menor. No caso dos adultos com incapacidade para consentir a vacinação, deve obter-se autorização do representante legal.
  • 79 a 16 anos de idade, por faixas etárias decrescentes
  • grávidas com idade ≥ 16 anos devem ser vacinadas contra a COVID-19 com as vacinas recomendadas em Portugal e de acordo com as normas da Direção-Geral da Saúde em vigor, não sendo necessária declaração médica:
    • recomenda-se a vacinação a partir das 21 semanas de gestação, após a realização da ecografia morfológica, no entanto não existe idade gestacional limite para o início da vacinação. Caso seja iniciado o esquema vacinal, sem conhecimento prévio da situação de gravidez, o mesmo deve ser completado no intervalo recomendado
    • intervalo mínimo de 14 dias em relação à administração de outras vacinas, sem prejuízo da vacina inativada contra a gripe não dever ser adiada
    • amamentação não constitui uma contraindicação
    • administração de imunoglobulina anti-D na grávida não deve ser adiada. Pode ser administrada no mesmo dia ou com qualquer intervalo de tempo em relação à vacina contra COVID-19
  • 16 ou mais anos de idade com, pelo menos, uma das patologias:
    • neoplasia maligna ativa:
      • neoplasia maligna ativa a fazer ou a aguardar o início de terapêutica antineoplásica sistémica (citotóxicos, imunomoduladores, antihormonas ou terapêuticas dirigidas a alvos moleculares tumorais) e/ou radioterapia
    • transplantados e candidatos a transplante de progenitores hematopoiéticos (alogénico e autólogo) ou de órgão sólido
    • imunossupressão:
      • asplenia
      • asplenia congénita
      • depranocitose
      • síndromes drepanociticos (Hg S/Hg β; Hg S/Hg C)
      • talassémia major
      • VIH/SIDA
      • imunodeficiências primárias
      • pessoas sob terapêutica crónica com medicamentos biológicos16, ou prednisolona > 20mg/dia, ou equivalente
    • doenças neurológicas:
      • esclerose lateral amiotrófica e outras doenças do neurónio motor
      • paralisia cerebral e outras condições semelhantes
      • doenças neuromusculares (incluindo, atrofias musculares congénitas)
      • epilepsia refratária
    • doenças mentais:
      • esquizofrenia
      • doença bipolar grave e outras perturbações graves do espectro da esquizofrenia (psicoses)
    • doença hepática crónica:
      • cirrose hepática
      • insuficiência hepática crónica
    • diabetes abaixo dos 60 anos de idade
    • obesidade IMC ≥ 35kg/m2 abaixo dos 60 anos de idade
    • doença cardiovascular:
      • insuficiência cardíaca
      • miocardiopatias (incluindo cardiopatias congénitas)
      • hipertensão pulmonar e Cor pulmonale crónico
      • doença coronária / enfarte agudo do miocárdio
      • síndrome de Brugada e outras arritmias congénitas
    • insuficiência renal crónica:
      • insuficiência renal em diálise
      • insuficiência renal estadio III, IV e V
    • doença pulmonar crónica:
      • doença respiratória crónica sob OLD ou ventiloterapia
      • doença pulmonar obstrutiva crónica
      • asma grave sob terapêutica com corticoides sistémicos
      • bronquiectasias
      • fibrose quística
      • deficiência de alfa-1-antitripsina
      • fibrose pulmonar (incluindo doenças do interstício pulmonar e pneumoconioses)
    • outras doenças lisossomais
  • pessoas que recuperaram de infeção por SARS-CoV-2, diagnosticada há, pelo menos, 3 meses, por faixas etárias decrescentes:
    • a vacinação inicia-se após o início da vacinação das pessoas com menos de 60 anos de idade
    • os 3 meses são contados desde o dia da notificação do caso
    • a vacinação é feita com apenas uma dose de vacina contra a COVID-19 após a recuperação da infeção por SARS-CoV-2, independentemente de ser uma vacina com esquema vacinal de uma ou duas doses, exceto em pessoas com imunossupressão
    • ao apresentar condições de imunossupressão são vacinadas com um esquema completo de vacinação de acordo com a vacina utilizada
    • as pessoas que iniciaram a vacinação contra a COVID-19 com uma vacina com um esquema vacinal de duas doses e que desenvolveram COVID-19 após a primeira dose, devem ser vacinadas com a segunda dose, após 3 meses da notificação da infeção por SARS-CoV-2

Na fase 3, está recomendada uma dose de reforço a:

  • residentes e utentes de lares, instituições similares e rede de cuidados continuados
  • pessoas com 40 ou mais anos de idade, por faixas etárias decrescentes
  • pessoas entre os 18 e 39 anos de idade, com doenças de risco acrescido
  • profissionais de saúde, em exercício profissional, envolvidos na prestação direta de cuidados de saúde
  • profissionais de lares e instituições similares e rede de cuidados continuados, envolvidos na prestação direta de cuidados
  • bombeiros envolvidos no transporte de doentes
  • pessoas com 18 ou mais anos de idade com esquema vacinal primário com COVID-19 Vaccine Janssen®

Na fase 4 está prevista a vacinação de pessoas:

  • entre os 5 e os 11 anos de idade com patologias de risco acrescido
  • entre os 5 e os 11 anos de idade por faixas etárias decrescentes

A vacinação das pessoas elegíveis para uma dose de reforço, deve ser realizada com uma vacina de mRNA (Comirnaty® ou Spikevax®), com um intervalo de, pelo menos, 6 meses após a conclusão do esquema vacinal primário, independentemente da vacina utilizada.

Se neste esquema tiver sido utilizada uma vacina de mRNA, a dose de reforço deverá ser da mesma marca.

Em que casos é recomendada uma dose adicional da vacina COVID-19?

Segundo a norma da Direção-Geral da Saúde, as pessoas com imunossupressão, que tenham 16 ou mais anos e, pelo menos, uma das seguintes condições, devem ser vacinadas com uma dose adicional de vacina contra a COVID-19:

  • transplante alogénico de órgãos sólidos
  • esquema vacinal inicial contra a COVID-19 realizado durante um período ou contexto clínico de imunossupressão grave:
    • Depleção linfocitária (nomeadamente, esplenectomia ou terapêutica com alemtuzumab, leflunomida, rituximab e ocrelizumab), cladribina, ciclosporina, anti-metabolitos (nomeadamente, terapêutica com ciclofosfamida, azatioprina, micofenolato de mofetilo, metotrexato), quimioterapia para doença oncológica37 ou dose elevada de corticosteroides (prednisolona dose cumulativa >10mg/dia durante, pelo menos, três meses ou prednisolona >20mg/dia durante, pelo menos, duas semanas ou equivalente);
    • Infeção por vírus da imunodeficiência humana (VIH) com contagem de linfócitos T-CD4+ <200/µL
  • outras situações: em situações clinicamente fundamentadas, o médico pode referenciar uma pessoa para vacinação com uma dose adicional, com base numa avaliação análoga às situações referidas

Nestes casos deve ser administrada uma dose de vacina de mRNA, com um intervalo mínimo de 3 meses (mínimo de 28 dias) após a última dose do esquema vacinal anteriormente realizado.

Se o esquema vacinal tiver sido realizado com vacina de mRNA, deverá ser administrada uma dose adicional com uma vacina da mesma marca.

A vacinação de pessoas com imunossupressão deve ser efetuada sob orientação e prescrição do médico assistente.

Caso uma pessoa esteja elegível simultaneamente para vacinação com uma dose adicional e uma dose de reforço, deve ser vacinada com dose adicional.

Quem é elegível para a dose de reforço?

As pessoas com 18 ou mais anos de idade, incluindo as pessoas que recuperaram de infeção por SARS-CoV-2, devem ser vacinadas com uma dose de reforço de uma vacina de mRNA:

  • residentes e utentes de lares, instituições similares e rede de cuidados continuados
  • pessoas com 40 ou mais anos de idade
  • pessoas entre os 18 e 39 anos de idade, com doenças de risco acrescido
  • profissionais de saúde, em exercício profissional, envolvidos na prestação direta de cuidados de saúde
  • profissionais de lares e instituições similares e rede de cuidados continuados, envolvidos na prestação direta de cuidados
  • bombeiros envolvidos no transporte de doentes
  • pessoas com 18 ou mais anos de idade com esquema vacinal primário com COVID-19 Vaccine Janssen®

Pessoas com esquema vacinal primário com Comirnaty®, Vaxzevria® ou Spikevax®, aplicam-se as seguintes regras:

  • a dose de reforço deve ser feita com vacinas Comirnaty® ou Spikevax®
  • deve ter um intervalo de, pelo menos, 6 meses (mínimo 5 meses) após o evento mais recente (última dose do esquema vacinal primário ou diagnóstico de infeção por SARS-CoV-2)
  • se o esquema vacinal primário tiver sido realizado com uma vacina de mRNA, a dose de reforço deve ser da mesma marca

Pessoas com esquema vacinal primário com COVID-19 Vaccine Janssen® as regras são as seguintes:

  • dose de reforço deve ser feita com vacinas Comirnaty® ou Spikevax®
  • intervalo recomendado é de pelo menos 3 meses após o evento mais recente (última dose do esquema vacinal primário ou diagnóstico de infeção por SARS-CoV-2)

Estou a fazer tratamentos oncológico. Devo adiar ou interromper para tomar a vacina COVID-19?

Nenhum tratamento oncológico, se imprescindível, deve:

  • ser adiado até à vacinação contra a COVID-19, sem prejuízo da vacinação dever ser realizada, preferencialmente, antes do início do tratamento oncológico
  • ser interrompido para a vacinação contra a COVID-19, sem prejuízo das precauções e circunstâncias especiais definidas nas normas da Direção-Geral da Saúde para as vacinas contra a COVID-19

A vacinação é obrigatória?

Não. A vacina contra a COVID-19 é voluntária, ou seja, apenas toma a vacina quem o desejar. Contudo, as autoridades de saúde recomendam fortemente a vacinação contra a COVID-19 como meio para controlar a pandemia.

Como é feita a convocatória para a vacinação?

As Administrações Regionais de Saúde (ARS) fazem o mapeamento das pessoas elegíveis em cada região, de acordo com os critérios do plano, e fazem o agendamento e convocatória através de um dos seguintes métodos:

  • envio de SMS automático, através do SClinico, pelas unidades de saúde
  • envio de SMS automático de forma centralizada
  • telefonema ou carta, a realizar pelas unidades de saúde

Posso ser eu a fazer o agendamento para a vacinação?

Sim. Pode fazer o pedido de agendamento através deste site, indicando o local e a data para vacinação mais conveniente para si. Posteriormente, será contacto por SMS pelo número 2424 com mais indicações.

Em que consiste a modalidade de vacinação “casa aberta”?

Atualmente a modalidade “casa aberta” encontra-se disponível para:

  • vacinação de primeiras doses da vacina COVID-19 de utentes elegíveis que:
    • não tenham vacinação agendada
    • tenham idade igual ou superior a 12 anos
    • não tenham registo de infeção com COVID-19 nos últimos 90 dias
  • vacinação da dose de reforço da COVID-19 + vacina contra a gripe de utentes elegíveis que:
    • tenham idade igual ou superior a 60 anos
    • não tenham registo de infeção com COVID-19 nos últimos 90 dias e
    • já tenham completado o esquema vacinal há pelo menos 150 dias
    • tenham idade igual ou superior a 40 anos, que tenham sido vacinados com a vacina Janssen há 90 ou mais dias

O pedido de senha digital, em modalidade “Casa Aberta”, é para utilização exclusiva de:

  • utentes a vacinar com a dose de reforço contra a COVID-19, nomeadamente:
    • profissionais de saúde e de outros serviços prestadores de cuidados
    • profissionais de ERPI e instituições similares
    • profissionais da RNCCI e Bombeiros envolvidos no transporte de doentes

(Estes profissionais devem fazer prova da sua atividade profissional no ato de vacinação)

  • utentes com idade igual ou superior a 12 anos que pretendam fazer vacinação primária contra a COVID-19
  • utentes com idade igual ou superior a 60 anos que pretendam fazer a dose de reforço da COVID-19

Não sou seguido no Serviço Nacional de Saúde, como sou notificado?

Relativamente às pessoas que não sejam seguidas no Serviço Nacional de Saúde, e ainda para as pessoas com determinadas doenças, os médicos assistentes devem emitir uma declaração médica, da sua inclusão nas fases 1 ou 2, para permitir o agendamento automático num ponto de vacinação, nos seguintes termos:

  • a declaração médica é emitida eletronicamente através da plataforma de Prescrição Eletrónica de Medicamentos (PEM), de acordo com formulário disponibilizado
  • esta declaração sobrepõe-se a qualquer informação que exista nos sistemas de informação do SNS

As crianças também devem ser vacinadas contra a COVID-19?

Segundo o parecer técnico da Direção-Geral da Saúde a avaliação de risco-benefício é favorável à vacinação universal das crianças com 5 a 11 anos.

Como é recomendada a vacinação neste grupo etário?

Conforme a Comissão Técnica de Vacinação contra a COVID-19 está recomendada a vacinação prioritária das crianças com 5 a 11 anos com doenças associadas (comorbilidades) consideradas de risco para COVID-19 grave, com a vacina Comirnaty®, na formulação pediátrica (10µcg) da seguinte forma:

  • intervalo entre doses de 6-8 semanas
  • deve ser respeitado um intervalo de 14 dias entre a administração desta vacina e de outras vacinas, do Programa Nacional de Vacinação, ou outras vacinas administradas nestas faixas etárias
  • as crianças que recuperaram da COVID-19 podem ser vacinadas com uma dose de vacina, pelo menos, 3 meses após a COVID-19
  • as crianças com história de Síndrome Inflamatório Multissistémico (MIS-C) podem ser vacinadas contra a COVID-19, pelo menos 3 meses após a COVID-19. O benefício da vacinação contra a COVID-19 deve ser avaliado, caso-a caso, pelo médico assistente
  • a vacinação de crianças com história de prévia de miocardite (se relacionada ou não com vacinas de mRNA) deve ser adiada pelo menos até à resolução completa do quadro clínico. O benefício da vacinação contra a COVID-19 deve ser avaliado, caso-a caso, pelo médico assistente
  • as crianças que após a primeira dose de vacina completem 12 anos devem ser vacinadas com a dose pediátrica de Comirnaty® (10µcg), de forma a completar o esquema com a mesma formulação

Se for vacinado, não preciso de cumprir as restrições?

Mesmo após ser vacinado, deve continuar a cumprir todas as medidas para a prevenção e controlo da transmissão do vírus, incluindo o uso de máscara.

Uma pessoa vacinada só se deve considerar protegida de doença cerca de uma a duas semanas após a vacinação completa com duas doses. Este é o período que dá garantia de uma resposta robusta por parte do seu sistema imunitário.

Desconhece-se ainda se estar vacinado impede infeção assintomática. As vacinas protegem contra a doença, mas não necessariamente contra ser “portador” e transmitir o vírus, sem apresentar sintomas. As máscaras e o distanciamento evitam que possamos infetar outras pessoas caso sejamos “portadores” do vírus sem o saber.

Lembre-se: a COVID-19 transmite-se através de gotículas expiradas pelo nariz ou boca, particularmente ao falar ou tossir. Também pode ser transmitida tocando nos olhos, nariz e boca, após contacto com objetos ou superfícies contaminadas.

Quanto tempo depois da vacinação estou protegido para a COVID-19?

Um vacinado só se deve considerar protegido da doença cerca de uma a duas semanas após a vacinação completa. Este é o período que dá garantia de uma resposta robusta por parte do seu sistema imunitário.

Após a vacinação posso ter infeção assintomática?

Desconhece-se ainda se estar vacinado impede infeção assintomática. As vacinas conferem proteção contra a doença, mas não protegem necessariamente outras pessoas caso sejamos “portadores” e transmissor do vírus, sem exibir sintomas. As máscaras e o distanciamento evitam que possamos infetar outras pessoas caso sejamos “portadores” do vírus sem saber.

Tenho familiares num lar com um surto de COVID-19. A vacinação pode decorrer de forma normal?

Não. A vacinação dos profissionais, residentes e utentes de lares, instituições similares, e unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados nas quais existam surtos de COVID-19 ativos deve ser adiada. As pessoas que não foram infetadas neste surto, devem ser vacinadas, logo que possível, após 14 dias desde o último caso identificado de COVID-19.

As pessoas acamadas e as sem-abrigo também são vacinadas?

Sim. As Administrações Regionais de Saúde, os Agrupamentos dos Centros de Saúde e as Unidades Locais de Saúde devem implementar todas as estratégias locais possíveis para a vacinação com equidade de:

  • pessoas acamadas que integrem os grupos prioritários para a vacinação contra a COVID-19
  • pessoas em situação de sem-abrigo, independentemente da idade, nos locais e/ou instituições onde estas pessoas se concentram, e privilegiando, sempre que possível, a vacinação com vacinas contra a COVID-19 com um esquema vacinal de uma dose

É possível acompanhar em tempo real a execução da campanha de vacinação?

O estado de execução da campanha, em termos do número total de doses administradas, incluindo primeiras e segundas doses, é atualizado diariamente no site do Serviço Nacional de Saúde.

Semanalmente, a Direção-Geral da Saúde publica o relatório que dá conta da cobertura vacinal nacional e por região geográfica e por idade, em Portugal Continental.

Como se processa o registo no boletim de vacinas?

O registo da inoculação será efetuado diretamente no sistema Vacinas, que permitirá que a vacina passe a constar automaticamente:

As vacinas são seguras?

Sim. No desenvolvimento e aprovação das vacinas contra a COVID-19, tal como para qualquer outro medicamento, estão a ser garantidas a sua eficácia, segurança e qualidade, através de ensaios clínicos e de uma avaliação rigorosa pela Agência Europeia de Medicamentos.

Nos ensaios clínicos realizados, dezenas de milhares de voluntários foram vacinados e comparados com um número idêntico de voluntários não vacinados. Os indivíduos vacinados foram acompanhados em termos de segurança das vacinas, ao longo de mais de seis semanas. Este é o período em que habitualmente surgem efeitos adversos comuns após a toma de vacinas, não se tendo observado uma frequência ou gravidade destes efeitos que coloque em causa a segurança das vacinas.

As vacinas contra a COVID-19 têm efeitos indesejáveis?

À semelhança de qualquer medicamento, também as vacinas contra a COVID-19 poderão desencadear efeitos indesejáveis. Os efeitos mais frequentes são ligeiros, estão descritos no folheto informativo de cada vacina e incluem:

  • reação no local da injeção
  • dor de cabeça
  • dores musculares ou das articulações
  • febre
  • sensação de cansaço
  • enjoos
  • mal-estar geral

Normalmente estes efeitos resolvem-se espontaneamente no prazo de três dias.

No entanto, se sentir alguns sintomas mais graves e persistentes deve consultar o seu médico de imediato, nomeadamente se sentir falta de ar, dor no tórax, inchaço nas pernas, dor abdominal persistente, dores de cabeça intensas e persistentes (mais de três dias), alterações da visão, pontos vermelhos ou manchas na pele em local distinto do local da injeção.

Quais as vacinas que estão a ser administradas em Portugal?

Nesta altura estão a ser administradas em Portugal as seguintes vacinas:

  • Comirnaty®
  • Spikevax® (anteriormente designada de COVID-19 Vaccine Moderna®)
  • VAXZEVRIA® (anteriormente designada de COVID-19 Vaccine AstraZeneca)
  • COVID-19 Vaccine Janssen®

Como são administradas as vacinas?

  • Comirnaty: administrada com duas doses com intervalo mínimo de 19 dias, intervalo recomendado de 21 a 28 dias, no músculo do braço
    • se foi administrada a 1ª dose a uma pessoa que tenha estado infetada por SARS-CoV2, não deve ser administrada a 2ª dose, exceto nas pessoas com imunossupressão
    • se houver atraso em relação à data marcada para a 2.ª dose, ou, por qualquer intercorrência, não puder ser administrada a 2ª dose, a mesma será administrada logo que possível
  • Spikevax® (anteriormente designada de COVID-19 Vaccine Moderna): administrada com duas doses, intervalo mínimo de 25 dias, intervalo recomendado de 28 dias, no músculo do braço
  • VAXZEVRIA® (anteriormente designada COVID-19 Vaccine AstraZeneca): administrada com duas doses, intervalo mínimo de 21 dias, intervalo recomendado de 8 semanas, no músculo do braço
    • se foi administrada a 1ª dose a uma pessoa que tenha estado infetada por SARS-CoV2, não deve ser administrada a 2ª dose, exceto nas pessoas com imunossupressão
    • se houver atraso em relação à data marcada para a 2.ª dose, ou, por qualquer intercorrência, não puder ser administrada a 2ª dose, a mesma será administrada logo que possível
  • COVID-19 Vaccine Janssen: administrada com uma dose, no músculo do braço

Posso antecipar a toma da segunda dose da vacina?

O intervalo entre doses, nas vacinas com esquema vacinal de duas doses, pode ser, excecionalmente, antecipado, nas seguintes situações:

  • viagens de comprovada urgência ou inadiáveis, nomeadamente, em caso de necessidade de cuidados de saúde transfronteiriços, representação diplomática ou de estado, missões humanitárias, e obrigações laborais ou académicas devidamente fundamentadas
  • antes do início de terapêuticas imunossupressoras, ou outros atos clínicos devidamente fundamentados

Em que situações é possível alterações ao esquema vacinal recomendado?

Podem ser adaptados os esquemas vacinais recomendados nas seguintes situações:

  • viagens, em que o país de destino exige um esquema vacinal diferente do recomendado em Portugal:
    • para estas situações as pessoas recuperadas de infeção por SARS-CoV-2 que, à data, já fizeram uma segunda dose de vacina, 6 ou mais meses após a primeira dose, consideram-se vacinadas com dose de reforço
  • antes do início de terapêuticas imunossupressoras, ou outros atos clínicos devidamente fundamentados

Quais as alterações que são possíveis?

São possíveis as seguintes alterações ao esquema vacinal recomendado:

  • antecipação do início da vacinação
  • redução do intervalo entre doses
  • ser administrada a 2ª dose nas vacinas com esquema vacinal de duas doses, em pessoas que recuperaram de COVID-19, caso o país de destino não aceite o esquema vacinal recomendado em Portugal

Posso escolher qual a vacina que quero tomar?

Todas as vacinas aprovadas para utilização na União Europeia foram submetidas a uma avaliação rigorosa pela Agência Europeia de Medicamentos, tendo sido garantidas a sua eficácia, segurança e qualidade.

As vacinas contra a COVID-19 aprovadas para utilização na União Europeia são equivalentes. Prevê-se que a vacinação possa decorrer de acordo com as prioridades definidas, de modo a proporcionar acesso à vacina a todas as pessoas que mais dela necessitam, de forma eficiente e de acordo com os dados conhecidos à data

Devo ter alguma precaução antes de ser vacinado?

Sim. Se estiver com febre, tosse, dificuldade respiratória, alterações do paladar ou do olfato não deve ser vacinado e deverá contactar o SNS 24 – 808 24 24 24. Também não deve ser vacinado se estiver em isolamento profilático.

Para além disso informe os profissionais de saúde se:

  • já teve uma reação anafilática a outros medicamentos
  • tem imunodeficiência ou realiza terapêutica imunossupressora (incluindo quimioterapia)
  • tem doenças da coagulação, alteração das plaquetas ou faz terapêutica com anticoagulantes

Em que situações estão as vacinas contraindicadas?

As vacinas estão contraindicadas nos casos de história de hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos seus excipientes, ou reação anafilática a uma dose anterior desta vacina. Nestas situações aconselhe-se com o seu médico.

Quais os cuidados que devo ter após ser vacinado?

Em primeiro lugar, após a vacinação todas as pessoas devem permanecer em vigilância no local da vacinação, durante 30 minutos. Depois disso, e atendendo a que estas vacinas estão a ser administradas pela primeira vez, deverá estar atendo a possíveis efeitos indesejáveis e notificá-los ao INFARMED através do Portal RAM.

Deve ainda continuar a manter as regras de proteção:

  • distanciamento social: manter distância de pelo menos 2 metros
  • etiqueta respiratória:
    • tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir
    • utilizar um lenço de papel ou o braço, nunca com as mãos
    • deitar o lenço de papel no lixo
    • lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir
  • reforçar as medidas de higiene:
    • lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou com uma solução de base alcoólica
    • evitar contacto próximo com doentes com infeções respiratórias
  • usar máscara

O que devo fazer se surgirem reações adversas?

Geralmente, as reações adversas às vacinas são ligeiras e desaparecem alguns dias após a vacinação. Podem surgir:

  • dor ou inchaço no local da injeção
  • fadiga
  • dor de cabeça
  • dores musculares
  • dor nas articulações ou febre

Se tiver febre, pode recorrer à toma de paracetamol.

Se apresentar dor, inchaço ou calor no local da injeção, pode aplicar gelo várias vezes ao dia, por curtos períodos, evitando o contacto direto com a pele.

Todas as reações adversas devem ser notificadas no Portal RAM do INFARMED, para serem monitorizadas. Em alternativa, podem ser utilizados os seguintes contactos:

Em caso de persistência dos sintomas ou se surgir outra reação que o preocupe, contacte o seu médico assistente ou o SNS 24 – 808 24 24 24.

Porque devo vacinar-me para a COVID-19?

Ser vacinado contra a COVID-19 permite proteger-nos individualmente contra a doença e suas complicações.

A vacina vai impedir que tenha COVID-19?

A vacina diminui o risco de contrair COVID-19. Os ensaios clínicos que suportaram a autorização de introdução destas vacinas no mercado envolveram milhares de pessoas e demonstraram que estas vacinas são eficazes na prevenção de COVID-19, bem como em evitar a doença grave e a morte.

Por isso, a vacinação vai desempenhar um papel central na preservação de vidas humanas e no controlo da pandemia.

Posso ser infetado pela vacina?

Não. Não pode ser infetado através da vacina, pois as vacinas não contêm vírus que causam a doença. No entanto, é possível ter contraído COVID-19 nos dias antes ou imediatamente após a vacinação e surgirem os sinais da doença poucos dias depois da vacinação.

As manifestações mais frequentes de COVID-19 são:

  • tosse
  • febre
  • dificuldade respiratória ou falta de ar
  • perda ou alteração do seu paladar/gosto ou olfato/cheiro

Se tiver alguma destas queixas, fique em casa e contacte o SNS 24 – 808 24 24 24.

Já estive infetado. Preciso mesmo de tomar a vacina?

As pessoas que recuperaram da COVID-19 há, pelo menos, 3 meses:

  • são vacinadas com uma dose de vacina contra a COVID-19 após a recuperação da infeção por SARS-CoV-2, independentemente de ser uma vacina com esquema vacinal de uma ou duas doses, exceto em pessoas com imunossupressão
  • em condições de imunossupressão, são vacinadas com um esquema completo de vacinação de acordo com a vacina utilizada
  • que iniciaram a vacinação contra a COVID-19 (incluindo as que apresentem condições de imunossupressão) com uma vacina com um esquema vacinal de duas doses e que desenvolveram COVID-19 após a primeira dose, devem ser vacinadas com a segunda dose, pelo menos, 3 meses após a notificação da infeção por SARSCoV-2

As pessoas recuperadas de uma reinfeção que ainda não tenham sido vacinadas, devem ser vacinadas contra a COVID-19 de acordo com o esquema vacinal referido.

Não sei se já tive COVID-19, posso tomar a vacina?

Não existe evidência que justifique qualquer preocupação de segurança ao vacinar pessoas com história anterior de infeção por SARS-CoV-2 ou com anticorpos contra a COVID-19 detetáveis.

Estou com sintomas sugestivos de COVID-19, posso tomar a vacina?

Não. Para evitar a transmissão do vírus, as pessoas com sintomas sugestivos de COVID-19 ou com infeção por SARS-CoV-2, ou em isolamento profilático, não devem ser vacinadas nem se dirigir aos pontos de vacinação, enquanto estiverem a cumprir o período de isolamento.

O benefício da vacinação de pessoas que apresentem sintomas persistentes após a infeção por SARS-CoV-2 deve ser avaliada caso-a-caso pelo médico assistente.

Tinha a vacinação agendada, mas fiquei em isolamento profilático. Quando posso ser vacinado?

As pessoas em isolamento profilático, em que não seja, entretanto, confirmada infeção por SARS-CoV-2, devem ser vacinadas após o período de isolamento profilático, caso sejam elegíveis para a vacinação.

Tomei a primeira dose da vacina e, entretanto, fui diagnosticado com COVID-19. Devo tomar a segunda dose?

As pessoas que iniciaram a vacinação contra a COVID-19 com uma vacina com esquema de duas doses e que são diagnosticadas com infeção por SARS-CoV-2 após a primeira dose, devem ser vacinadas com uma dose da mesma vacina, após 3 meses da notificação da infeção, conforme norma da Direção-Geral da Saúde.

Depois de tomar a vacina, por quanto tempo vou ficar imune?

Neste momento, não é possível avaliar por quanto tempo essa proteção se irá manter, nem se haverá necessidade de administrar uma dose de reforço e qual a sua periodicidade. Esta informação será atualizada assim que mais dados forem ficando disponíveis.

Posso tomar a vacina contra a COVID-19 ao mesmo tempo da vacina contra a gripe?

Sim. A vacina contra a COVID-19 pode ser juntamente com a vacina inativada contra a gripe. As vacinas devem ser administradas em locais anatómicos diferentes:

  • braço esquerdo: vacina contra a COVID-19
  • braço direito: vacina contra a gripe

Pode também optar por uma administração em dias diferentes com qualquer intervalo entre administrações.

Vou tomar a vacina. A falta ao trabalho é justificada?

Sim. A falta ao trabalho para receber a vacina contra a COVID-19 é justificada e não há lugar a perda de retribuição.

As mulheres grávidas e as mulheres a amamentar devem ser vacinadas?

Segundo a norma da Direção-Geral da Saúde, as grávidas com 16 ou mais anos de idade devem ser vacinadas contra a COVID19, com as vacinas recomendadas em Portugal, não sendo necessária declaração médica:

  • a partir das 21 semanas de gestação, após a realização da ecografia morfológica, não existindo idade gestacional limite para o início da vacinação

A vacinação contra a COVID-19 na grávida deve respeitar um intervalo mínimo de 14 dias em relação à administração de outras vacinas, tais como a vacina contra a tosse convulsa (Tdpa) e a vacina contra a gripe.

A vacinação contra a COVID-19 da grávida ocorre, preferencialmente, nos ACES / ULS.

A amamentação não constitui uma contraindicação para a vacinação contra a COVID-19.

 

Fonte: Direção-Geral da Saúde (DGS)

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