Testes e tratamento

( Atualizado a 30/11/2021 )

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Quais são os critérios para a definição de caso suspeito de COVID-19?

São consideradas suspeitas de infeção por SARS-CoV-2 as pessoas que apresentem, independentemente do estado vacinal contra a COVID-19:

  • quadro de infeção respiratória aguda com, pelo menos, um dos seguintes sintomas:
    • tosse de novo, ou com agravamento do padrão habitual
    • febre (temperatura ≥ 38,0ºC) sem outra causa atribuível
    • dispneia / dificuldade respiratória, sem outra causa atribuível
  • perda total ou parcial do olfato (anosmia) de início súbito
  • enfraquecimento do paladar (ageusia) e perturbação ou diminuição do paladar (disgeusia) de início súbito

O que deve fazer um caso suspeito?

Os doentes com suspeita de COVID-19 devem contactar o SNS 24 – 808 24 24 24 – ou, de forma complementar, para as linhas telefónicas criadas especificamente para o efeito, pelas Administrações Regionais de Saúde, em:

  • Unidades de Saúde Familiar (USF)
  • Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP)

e que são divulgadas localmente.

O que acontece depois do contacto com essas linhas?

A avaliação pelo SNS 24, ou pela USF / UCSP, permite o encaminhamento do doente suspeito de COVID-19 para:

  • autocuidados, em isolamento no domicílio e sob vigilância
  • avaliação clínica em áreas dedicadas a doentes com suspeita de infeção respiratória aguda (ADR) nos Cuidados de Saúde Primários (ADR-Comunidade, ADR-C)
  • avaliação clínica em áreas dedicadas a doentes com suspeita de infeção respiratória aguda nos Serviços de Urgência dos hospitais (ADR-SU) do SNS
  • Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM

Quais os critérios clínicos atuais para realizar teste à COVID-19?

Todos os doentes com suspeita de infeção por SARS-CoV-2 devem ser realizar teste laboratorial para a COVID-19. Segundo a norma da Direção-Geral da Saúde:

  • os contactos de alto risco com caso confirmado COVID-19 devem realizar o teste molecular (TAAN) até ao 5º dia após a exposição, e ao 10ª dia após a exposição (se assintomáticos e com o primeiro teste negativo). Se o teste molecular não estiver disponível, ou não permitir a obtenção do resultado em menos de 24 horas, deve ser utilizado um teste rápido de antigénio (TRAg)
  • os contactos de baixo risco com caso confirmado COVID-19 devem realizar o teste molecular (TAAN) até ao 5º dia após a exposição. Se o teste molecular não estiver disponível, ou não permitir a obtenção do resultado em menos de 24 horas, deve ser utilizado um teste rápido de antigénio (TRAg)

Os testes não devem ser realizados em pessoas com história de COVID-19, confirmada laboratorialmente, nos últimos 180 dias, exceto quando apresentem sintomas sugestivos de COVID-19, e simultaneamente:

  • sejam contacto de risco de um caso confirmado de COVID-19, nos últimos 14 dias
  • não exista diagnóstico alternativo para o estado clínico
  • em situações de imunodepressão

Em que situações as pessoas vacinadas contra a COVID-19 têm de realizar teste?

As pessoas devem manter a realização de testes de diagnóstico da COVID-19, mesmo as que têm esquema vacinal completo há mais de 14 dias, nas seguintes situações:

  • em caso de suspeita de infeção por SARS-CoV-2
  • em contactos de risco com caso confirmado de COVID-19
  • na admissão nos seguintes estabelecimentos: lares de idosos, Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e de outras estruturas e respostas dedicadas a pessoas idosas, crianças, jovens e pessoas com deficiência, bem como centros de proteção internacional e de acolhimento e proteção de vítimas de violência doméstica e de tráfico de seres humanos e os estabelecimentos prisionais
  • visitas a lares, unidades de cuidados continuados integrados da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e outras estruturas e respostas residenciais dedicadas a crianças, jovens e pessoas com deficiência
  • visitas a utentes internados em estabelecimentos de prestação de cuidados de saúde
  • acesso a eventos de grande dimensão sem lugares marcados ou recintos improvisados e recintos desportivos
  • rastreios periódicos aos residentes, utentes e profissionais dos lares de idosos

Em que situações as pessoas vacinadas contra a COVID-19 não têm de realizar teste?

As pessoas com esquema vacinal completo há mais de 14 dias, ficam isentas da realização de testes de rastreio para SARS-CoV-2 nos seguintes contextos:

  • em populações vulneráveis:
    • rastreios periódicos aos residentes, utentes e profissionais das seguintes instituições: Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e de outras estruturas e respostas dedicadas a pessoas idosas, crianças, jovens e pessoas com deficiência, bem como centros de proteção internacional e de acolhimento e proteção de vítimas de violência doméstica e de tráfico de seres humanos e os estabelecimentos prisionais
  • nas unidades prestadoras de cuidados de saúde:
    • rastreios periódicos aos doentes durante o internamento, mantendo-se a realização de teste laboratorial na admissão e nos restantes contextos definidos para estas unidades
    • rastreios periódicos aos profissionais de saúde
  • nos rastreios ocupacionais e comunitários

Em Portugal em que circunstâncias tenho de apresentar teste negativo à COVID-19?

Deve apresentar comprovativo de teste negativo nas seguintes situações:

  • visitas a lares, unidades de cuidados continuados integrados da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e outras estruturas e respostas residenciais dedicadas a crianças, jovens e pessoas com deficiência
  • visitas a utentes internados em estabelecimentos de prestação de cuidados de saúde
  • acesso a eventos de grande dimensão sem lugares marcados ou recintos improvisados e recintos desportivos
  • entrada em bares e discotecas

Quais os testes disponíveis em Portugal?

Os testes disponíveis, atualmente, em Portugal são:

  • Testes Moleculares de Amplificação de Ácidos Nucleicos (TAAN): são o método de referência para o diagnóstico e rastreio e confirmam a presença do vírus SARS-CoV-2 responsável pela doença COVID-19. São testes feitos com amostras recolhidas, através de zaragatoa, da região do nariz e/ou da garganta. Os seus resultados devem ser conhecidos no prazo máximo de 24 horas após a prescrição
  • Testes Rápidos de Antigénio (TRAg): são testes de proximidade cujos resultados são conhecidos após 15 a 30 minutos da realização
  • Autotestes: são testes rápidos de antigénio de baixa complexidade de serem feitos, e que permitem a sua utilização por pessoas que não profissionais de saúde ou outros profissionais habilitados
  • Testes serológicos: são os que avaliam se a pessoa tem anticorpos específicos para a COVID-19. Estes não são utilizados para o diagnóstico da COVID-19

Onde posso comprar os autotestes?

Os testes rápidos de antigénio (TRAg), na modalidade de autotestes, podem ser adquiridos nos seguintes estabelecimentos:

  • farmácias e parafarmácias
  • supermercados e hipermercados
  • locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica

A venda destes dispositivos deve garantir as condições definidas pelo fabricante.

Quem é que pode prescrever o teste laboratorial à COVID-19?

O teste laboratorial para SARS-CoV-2 pode ser requisitado pelo:

  • SNS 24, para os doentes com indicação para vigilância e isolamento no domicílio
  • médico das equipas das ADR-C ou ADR-SU, OU
  • médico que, durante a avaliação clínica, considere a suspeita de COVID-19

Aguardo o resultado do teste COVID-19 há vários dias. O que devo fazer?

A Direção-Geral da Saúde alerta que quem aguarda pelos resultados dos testes não deve sair do isolamento, nem aliviar as respetivas medidas de proteção. De uma forma geral o resultado deve ser disponibilizado, até às 24 horas desde a requisição do teste laboratorial. Se nesse espaço de tempo não recebeu o resultado deverá contactar o laboratório.

O que devo fazer depois de receber o resultado do teste?

Após a realização do teste laboratorial para a COVID-19:

  • se o resultado for negativo:
    • com teste molecular (TAAN), os doentes devem seguir as recomendações dadas pelas equipas das unidades de saúde familiares (USF) / unidade de cuidados de saúde personalizados (UCSP)
    • com teste rápido de antigénio (TRAg), deve ser realizado um teste laboratorial em situações de forte suspeição clínica
  • perante um resultado positivo, deve manter-se em vigilância clínica e em isolamento no domicílio, até serem estabelecidos os critérios de alta / fim do isolamento

Aos doentes com infeção confirmada é determinado o confinamento obrigatório pelo delegado de saúde (autoridade de saúde local) e emitido o Certificado de Incapacidade Temporária para o Trabalho (CIT) pelo médico da unidades de saúde familiares (USF) / unidade de cuidados de saúde personalizados (UCSP).

O laboratório indicado para fazer o exame só tem disponibilidade para daqui a uma semana. Posso fazer noutro?

Sim. Não havendo disponibilidade imediata para efetuar o teste no laboratório que escolheu, pode contactar outro laboratório à sua escolha.

Por minha iniciativa fiz o teste à COVID-19 e deu negativo. Tenho de cumprir o isolamento?

Não. No entanto, deve seguir as recomendações da Direção-Geral da Saúde para prevenção da COVID-19, como:

  • distanciamento social – manter distância de pelo menos 2 metros
  • evitar cumprimentos que impliquem contacto físico
  • etiqueta respiratória:
    • tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir
    • utilizar um lenço de papel ou o braço, nunca com as mãos
    • deitar o lenço de papel no lixo
    • lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir
  • reforçar as medidas de higiene:
    • lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou com uma solução de base alcoólica
    • evitar contacto próximo com doentes com infeções respiratórias

Quem tem de cumprir vigilância clínica e isolamento no domicílio?

Têm indicação para permanecer no domicílio os doentes que reúnam todos os seguintes critérios:

  • idade inferior a 60 anos
  • sintomas ligeiros como febre por período inferior a 3 dias, com boa resposta aos antipiréticos (por exemplo paracetamol), e/ou tosse
  • ausência de falta de ar ou sinais de dificuldade respiratória, hemoptises (presença de sangue durante a tosse), vómitos ou diarreia persistentes, ou qualquer outro sintoma de gravidade clínica
  • ausência de doenças crónicas descompensadas ou condições associadas a risco de evolução para COVID-19 com gravidade

O médico prescreveu-me o teste à COVID-19 e o resultado foi negativo. O que devo fazer?

Deve sempre aguardar pelas indicações do seu médico. Cumpra todas orientações de prevenção como:

  • distância de pelo menos 2 metros das outras pessoas
  • lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou com uma solução de base alcoólica
  • tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir, utilizando um lenço de papel ou o braço, nunca as mãos
  • utilizar máscara facial nos locais de uso obrigatório
  • manter-se atento aos seus sintomas: caso surja tosse, febre, perda de cheiro, olfato, sabor ou paladar ou começar com dificuldade respiratória deve isolar-se de outras pessoas e ligar para o SNS 24 – 808 24 24 24

Tive o resultado do teste para COVID-19 positivo. Quando termina o meu isolamento?

O período de isolamento (início e fim) é determinado pelo delegado de saúde local (autoridade de saúde) ou pelo médico que o acompanha.

Tenho teste positivo para COVID-19. Como é feito o registo do meu caso?

Após a realização do teste à COVID-19, o resultado é registado em dois sistemas informáticos:

  • SINAVE (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica)
  • Trace COVID-19 (ferramenta de acompanhamento à COVID-19, contactos próximos e doentes em vigilância e autocuidados)

Deste modo, os médicos assistentes (por exemplo do centro de saúde) e os delegados de saúde locais conseguem vigiar clinicamente os seus doentes.

Tenho teste positivo à COVID-19, mas não tenho sintomas. O que acontece agora?

Mesmo não tendo sintomas, um caso positivo de COVID-19 é considerado doente com indicação para autocuidados. Ou seja, o doente deve:

  • permanecer no domicílio cumprindo todas as recomendações de isolamento
  • manter-se contactável para que a equipa da sua unidade de saúde (centro de saúde) faça o acompanhamento telefónico e a respetiva avaliação clínica
  • manter-se contactável para que o delegado de saúde local (autoridade de saúde) ou outro profissional de saúde da Unidade de Saúde Pública (USP), consiga fazer a investigação do caso e o rastreio de contactos próximos

Tenho teste positivo para COVID-19 e ainda não fui contactado por ninguém. O que devo fazer?

Se o doente com teste positivo à COVID-19 não for contactado por um profissional de saúde nos primeiros 3 dias, após receber o resultado do teste, deve ligar para o centro de saúde para que seja seguido pela equipa clínica.

Quais são os critérios para alta clínica e terminar o isolamento?

O fim das medidas de isolamento é determinado sem necessidade de realização de novo teste à COVID-19 e apenas quando se comprova o cumprimento cumulativo dos seguintes critérios:

  • critérios de melhoria clínica:
    • apirexia (sem utilização de antipiréticos) durante três dias consecutivos
      e
    • melhoria significativa dos sintomas durante três dias consecutivos
  • tempo mínimo preconizado para isolamento:
    • contado desde o dia de início dos sintomas, nas pessoas com sintomas
    • contado desde a data de realização do teste laboratorial que confirmou o diagnóstico nas pessoas com sintomas durante o curso da doença, bem como nos doentes com incapacidade de identificar o dia de início de sintomas

Qual é o tempo mínimo para o isolamento?

O tempo mínimo preconizado para isolamento é de:

  • 10 dias nas pessoas sem sintomas (assintomáticas)
  • 10 dias nas pessoas que desenvolvem doença ligeira ou moderada
  • 20 dias nas pessoas que desenvolvem doença grave
  • 20 dias nas pessoas com imunossupressão, independentemente da gravidade da evolução clínica

As pessoas que recuperaram de COVID-19 e que cumpriram os critérios de fim de isolamento referidos, não realizam novos testes laboratoriais para SARS-CoV-2, nos 180 dias subsequentes ao fim do isolamento. Não se incluem as pessoas que:

  • desenvolvam novamente sintomas sugestivos de COVID-19 e simultaneamente
    • sejam contacto de alto risco de um caso confirmado de COVID-19, nos últimos 14 dias
    • não tenham diagnóstico alternativo (incluindo outros vírus respiratórios)
  • em situações de imunossupressão

O que deve ser feito perante um caso suspeito numa instituição de apoio social?

Sempre que for identificado um caso suspeito de COVID-19, numa instituição de apoio social (Estabelecimentos de apoio residencial, social ou unidades de internamento da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados) com sintomas de:

  • tosse persistente ou agravamento de tosse crónica
  • febre de temperatura igual ou superior a 38°C
  • perda total ou parcial do olfato (anosmia), enfraquecimento do paladar (ageusia) ou perturbação ou diminuição do paladar (disgeusia) de início súbito
  • dificuldade respiratória

os trabalhadores da instituição devem:

  • contactar a direção técnica do estabelecimento
  • contactar a autoridade de saúde local, vulgarmente conhecida como delegado de saúde
  • colocar uma máscara cirúrgica e luvas a si próprio
  • fornecer ou colocar uma máscara cirúrgica ao caso suspeito
  • isolar o caso suspeito num local onde não esteja em contacto com outros utentes

Os novos utentes dos lares têm de fazer teste à COVID-19?

Sim. Para a entrada de novos utentes em lares, é necessário que:

  • sejam realizados testes laboratoriais para COVID-19, até 72 horas antes da admissão
  • fiquem isolados dos restantes utentes durante 14 dias, independentemente da avaliação clínica ou do resultado laboratorial

Quem tem prioridade para a realização do teste laboratorial?

Nas situações em que não seja possível testar todos os doentes com suspeita de COVID-19, têm prioridade para a realização do teste laboratorial os seguintes:

  • doentes com critérios de internamento hospitalar
  • recém-nascidos e grávidas
  • profissionais de saúde sintomáticos
  • doentes com comorbilidades, nomeadamente com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, asma, insuficiência cardíaca, diabetes, doença hepática crónica, doença renal crónica, neoplasia maligna ativa, ou estados de imunossupressão
  • doentes em situações de maior vulnerabilidade, tais como residência em lares e unidades de convalescença
  • doentes com contacto próximo com pessoas com as comorbilidades já identificadas

O que acontece aos doentes que têm indicação para autocuidados com isolamento domiciliário?

Os doentes com indicação para autocuidados devem:

  • permanecer em isolamento no domicílio, em cumprimento rigoroso das indicações da Direção-Geral da Saúde
  • ser avaliados e monitorizados telefonicamente pela equipa de saúde USF / UCSP
  • ser submetidos a teste laboratorial para SARS-CoV-2, em regime de ambulatório
  • ser informados sobre o resultado do teste laboratorial e das recomendações a seguir de acordo com os resultados

Qual é o tratamento para a COVID-19?

Neste momento, o tratamento para a infeção pelo COVID-19 é dirigido aos sinais e sintomas presentes. Neste momento já existe vacina para a COVID-19 que está a ser administrada, segundo o plano de vacinação aprovado em Portugal.

Depois dos primeiros sintomas, quanto tempo pode durar a doença?

Pode durar até 5 semanas, mas depende de cada doente, do seu sistema imunitário e de haver ou não doenças crónicas associadas, que alteram o nível de risco.

Os antibióticos são eficazes na prevenção e no tratamento da COVID-19?

Não, os antibióticos não resultam contra os vírus, apenas bactérias. A COVID-19 é uma doença provocada por um vírus (SARS-CoV-2) e, como tal, os antibióticos não devem ser usados para a sua prevenção ou tratamento. Não têm resultados e podem contribuir para o aumento das resistências a antibióticos.

Fonte: Direção-Geral da Saúde (DGS)

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