Transmissão

( Atualizado a 29/04/2021 )

9 minutos de leitura

Como se transmite?

Com base na evidência científica atual, o vírus que provoca a COVID-19 transmite-se principalmente através de:

  • contacto direto:
    • disseminação de gotículas respiratórias produzidas quando por exemplo, uma pessoa infetada tosse, espirra ou fala, e podem ser inaladas ou pousar na boca, nariz ou olhos de pessoas que estão próximas (< 2 metros)
  • contacto indireto:
    • através do contacto das mãos com uma superfície ou objeto contaminado com o vírus e que, em seguida, contactam com a boca, nariz ou olhos

Em que fase do surto está Portugal?

Portugal está na fase de mitigação. Abaixo encontram-se as fases que existem durante um surto/epidemia/pandemia:

Fase de preparação Não existe epidemia ou epidemia concentrada fora de Portugal
 

 Fase de resposta

   1. Contenção 1.1 Epicentro identificado fora de Portugal, com transmissão internacional
1.2 Casos importados na Europa
   2. Contenção alargada 2.1 Cadeias secundárias de transmissão na Europa
2.2 Casos importados em Portugal, sem cadeias secundárias
   3. Mitigação 3.1 Transmissão local em ambiente fechado
3.2 Transmissão comunitária
Fase de recuperação Atividade da doença decresce em Portugal e no Mundo

 

É importante existir o rastreio de contactos?

Sim. O rastreio de contactos é uma medida de saúde pública fundamental para identificar, rapidamente, potenciais casos secundários, a fim de poder intervir e interromper a cadeia de transmissão da infeção.

Em que consiste o rastreio de contactos?

O rastreio de contactos consiste em:

  • identificação imediata de todos os contactos de um caso confirmado com COVID-19, tendo em conta o período de infecciosidade
  • avaliação e estratificação de risco dos contactos identificados, incluindo a avaliação dos sintomas sugestivos de COVID-19 nos contactos

Como se define um contacto?

Um contacto é uma pessoa que esteve exposta a um caso de COVID-19 dentro do período de infecciosidade, ou a material biológico infetado com o vírus. O risco de contrair a infeção depende do nível de exposição, ou seja, os contactos com um caso de COVID-19 são classificados de acordo com o seu nível de exposição: de alto risco ou de baixo risco.

Qual é o período de infecciosidade?

O período de infecciosidade, para fins de rastreio de contactos, é:

  • para casos sintomáticos:
    • desde 48 horas antes da data de início de sintomas de COVID-19, até ao dia em que é estabelecido o fim do isolamento do caso confirmado
  • para casos assintomáticos (sem sintomas):
    • desde 48 horas antes da data da colheita da amostra biológica para o teste laboratorial até ao dia em que é estabelecido o fim do isolamento do caso confirmado
    • quando for possível estabelecer uma ligação epidemiológica: desde 48h após exposição ao caso confirmado, até ao dia em que é estabelecido o fim do isolamento do caso

Quais são os procedimentos perante um caso suspeito?

Durante o período de identificação ou de vigilância de contactos a autoridade de saúde que deteta o aparecimento de sintomas compatível com a COVID-19 deve:

  • avaliar, por via telefónica, o caso suspeito e encaminhá-lo de acordo com a gravidade clínica

O caso suspeito deve:

  • realizar teste laboratorial, prescrito pela autoridade de saúde
  • ser vigiado pelas equipas do centro de saúde, se tiver sido encaminhado para autocuidados em isolamento no domicílio:
    • se o resultado do teste for positivo:
      • o seguimento clínico deve ser feito pelas equipas do centro de saúde, incluindo a investigação epidemiológica e o rastreio de contactos
    • se o resultado do teste for negativo:
      • mantém a vigilância e as medidas transmitidas pela autoridade de saúde. A sua situação clínica também pode ser avaliada e seguida pelo médico assistente

O que é um contacto próximo?

Um contacto próximo pode ser considerado nas seguintes situações:

  • pessoa que presta cuidados diretos a doentes com COVID-19 ou que têm contacto com um ambiente laboratorial com amostras de COVID-19
  • contacto próximo ou permanência em ambiente fechado com doente com COVID-19
  • pessoas que viajam com doente com COVID-19:
    • companheiros de viagem
    • num avião: as pessoas que estão dois lugares à esquerda ou à direita do doente, dois lugares nas duas filas consecutivas à frente do doente e dois lugares nas duas filas consecutivas atrás do doente e tripulantes de bordo que serviram a secção do doente
    • num navio: pessoas que partilharam a mesma cabine e tripulantes de bordo que serviram a cabine do doente

Existe mais do que um tipo de contacto próximo?

Sim. Os contactos próximos podem ser de dois tipos:

  • alto risco de exposição – são aqueles que tiveram:
    • contacto cara-a-cara com um caso confirmado por COVID-19 a uma distância inferior a 1 metro, independentemente do tempo de exposição
    • contacto cara-a-cara com um caso confirmado a uma distância entre 1 e 2 meros e durante 15 minutos ou mais (sequenciais ou cumulativos, ao longo de 24 horas)
    • contacto em ambiente fechado com um caso confirmado durante 15 minutos ou mais, incluindo viagem em veículo fechado (a avaliação de risco em aeronave e navio corresponde à norma em vigor)
    • prestação direta e desprotegida de cuidados de saúde a casos confirmados de infeção
    • contacto direto e desprotegido, em ambiente laboratorial ou locais de colheita, com produtos biológicos infetados
    • contacto identificado pela aplicação móvel STAYAWAY COVID
  • baixo de rico de exposição – são aqueles que tiveram:
    • contacto cara-a-cara, a uma distância entre 1 e 2 metros com um caso confirmado de infeção por período inferior a 15 minutos
    • contacto em ambiente fechado com um caso confirmado, incluindo viagem em veículo fechado com caso confirmado de infeção, por período inferior a 15 minutos (sequenciais ou cumulativos; ao longo de 24 horas)

Como deve ser feita a vigilância destes contactos?

  • Todos os contactos de alto risco estão sujeitos:
    • isolamento profilático, no domicílio ou noutro local definido a nível local, pela autoridade de saúde, sendo emitida uma Declaração de Isolamento Profilático (DIP). O fim do isolamento profilático corresponde ao 14.º dia após a data da última exposição de alto risco ao caso confirmado

Durante o período de isolamento o contacto deve:

    • estar contactável
    • automonitorizar os sintomas compatíveis com a COVID-19, bem como medir e registar a temperatura corporal, duas vezes por dia
    • contactar o SNS 24 – 808 24 24 24 – se surgirem sintomas compatíveis com COVID-19, e informar a autoridade de saúde, se possível
  • Todos os contactos de baixo risco estão sujeitos:
    • a vigilância passiva durante 14 dias, ou seja, a acompanhamento diário de sintomas pelo próprio desde a data da sua última exposição

O que devo fazer se estiver em vigilância ativa?

Se estiver em vigilância ativa, a autoridade de saúde pode:

  • contactá-lo, presencialmente ou por telefone, pelo menos uma vez por dia, para fazer o ponto de situação diário, relativamente aos seus sintomas
  • informá-lo dos procedimentos que terá de fazer e das medidas a tomar, para sua proteção e dos seus familiares

Além disso, deverá ainda:

  • medir a temperatura corporal duas vezes por dia
  • avaliar todos os dias os sintomas compatíveis com COVID-19 através da funcionalidade de auto-reporte, disponível no Registo de Saúde Eletrónico ou no portal COVID-19
  • cumprir rigorosamente as medidas de higiene das mãos e etiqueta respiratória
  • estar contactável
  • estar em isolamento obrigatório, mantendo-se em casa. Se precisar sair de casa, por motivos de força maior, deve, antes de o fazer, informar o profissional de saúde que o acompanha e seguir as recomendações
  • não usar transportes públicos coletivos ou individuais (ex.: táxi, metro, autocarro, comboio)
  • contactar a autoridade de saúde ou o SNS 24 – 808 24 24 24 se aparecerem sintomas compatíveis de COVID-19

O que devo fazer se estiver em vigilância passiva?

Se estiver em vigilância passiva, deve:

  • cumprir todas as recomendações e regras das autoridades de saúde
  • avaliar todos os dias os sintomas compatíveis com COVID-19 e registar no RSE |Área do Cidadão ou no portal COVID-19
  • medir a temperatura corporal duas vezes por dia
  • evitar o contacto social, não frequentar locais com ajuntamentos de pessoas
  • cumprir rigorosamente as medidas de prevenção:
    • distanciamento social
    • lavagem frequente das mãos
    • etiqueta respiratória
    • utilizar a máscara nos locais de uso obrigatório
  • no caso de ter sintomas (febre (temperatura ≥ 38.0ºC), tosse, perda total ou parcial do olfato (anosmia), enfraquecimento do paladar (ageusia) ou perturbação ou diminuição do paladar (disgeusia) de início súbito ou dificuldade respiratória), contactar o SNS 24 – 808 24 24 24

Já fui infetado pelo novo coronavírus. Posso voltar a ser infetado?

Sim. Contudo, a grande maioria das pessoas que já tiveram COVID-19 adquiriram proteção contra a doença. Presentemente, essa proteção aparenta durar pelo menos 3 ou 4 meses, mas só com o tempo se saberá por quanto tempo mais se prolonga. Serão necessários mais estudos e investigação para se apurar em concreto essa questão.

Quanto tempo o novo coronavírus sobrevive nas superfícies/objetos?

O vírus pode sobreviver em superfícies durante horas ou até dias se estas superfícies não forem limpas e desinfetadas com frequência.
O tempo que o vírus persiste nas superfícies pode variar sob diferentes condições, por exemplo:

  • o tipo de superfície
  • a temperatura
  • a humidade do ambiente
  • a carga viral inicial que originou a exposição

Estudos recentes mostram que o vírus que provoca a COVID-19 se pode manter ativo em superfícies como:

  • plástico ou metal, por um período máximo de cerca de 72 horas
  • em aerossóis, por um período máximo de 3h
  • mais porosas como cartão, por um período de 24h

Para que não haja acumulação de vírus nas superfícies deve, na sua casa ou em espaços públicos, limpar mais vezes as superfícies. Pode utilizar detergente e desinfetante comum de uso doméstico, por exemplo a lixívia ou o álcool.

Os animais domésticos podem transmitir o novo coronavírus?

Não. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, não há evidência de que os animais domésticos, tais como cães e gatos, tenham sido infetados e que, consequentemente, possam transmitir o novo coronavírus.

O novo coronavírus pode ser transmitido através de alimentos, incluindo os refrigerados e congelados?

Os coronavírus transmitem-se, geralmente, de pessoa para pessoa através de gotículas respiratórias. Atualmente, não há evidência que suporte a transmissão do novo coronavírus pelos alimentos. Antes de preparar ou consumir alimentos, é importante lavar sempre as mãos com água e sabão durante 20 segundos.

Como os coronavírus têm uma reduzida capacidade de sobrevivência em superfícies, o risco de transmissão por produtos alimentares ou embalagens, enviados num período de dias ou semanas à temperatura ambiente, refrigerada ou congelada, é reduzido.

As mulheres grávidas com COVID-19 podem transmitir o vírus ao feto ou ao recém-nascido (transmissão vertical)?

Existem estudos que indicam que uma mulher grávida com COVID-19 pode transmitir o vírus da COVID-19 ao feto ou ao recém-nascido por transmissão vertical. Contudo, as orientações da Direção-Geral da Saúde de acompanhamento das grávidas mantêm-se até que haja evidências e indicações em sentido contrário.

Tenho COVID-19, posso amamentar?

Pode. Não está demonstrado que o leite materno seja uma fonte de contaminação, pelo que, até ao momento, aconselha-se a continuação do aleitamento materno. A transmissão mãe-filho neste período, a acontecer, será muito provavelmente pelo contacto direto (proximidade física) da mãe com a criança e não através do leite.

É possível uma pessoa não estar infetada e ser transmissora?

Não, a pessoa tem de estar infetada para transmitir a infeção a outros. Estar infetado quer dizer que o vírus se multiplicou no organismo de uma pessoa podendo transmitir a infeção.

O clima influencia a COVID-19?

Ainda não é conhecido se o clima ou a temperatura afetam a propagação do COVID-19. Outros vírus, por exemplo os que causam gripe, têm uma maior propagação durante os meses mais frios. Contudo, isso não significa que não se fique doente devido a estes vírus durante os restantes meses.

De momento, não há evidência de que a propagação do novo coronavírus diminua com o clima mais quente. Ainda ocorre investigação sobre o modo de transmissão, a gravidade e outras informações relacionadas com o novo coronavírus.

Fonte: Direção-Geral da Saúde (DGS)

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