Vacina COVID-19

( Atualizado a 21/07/2021 )

23 minutos de leitura

Quando teve início a vacinação contra a COVID-19 em Portugal?

Em Portugal, o processo de vacinação teve início a 27 de dezembro de 2020 e vai prolongar-se por todo o ano de 2021.

Qual o principal objetivo da vacinação COVID-19?

A vacinação contra a COVID-19 surge como uma resposta central e de reforço, a par das respostas já existentes, tendo como objetivo prevenir o surgimento de doença grave e das suas consequências, reduzindo a pressão exercida sobre o sistema de saúde.

Em Portugal existe um plano de vacinação?

Sim. O Plano de Vacinação COVID-19 foi apresentado no dia 3 de dezembro de 2020, estando a execução do mesmo a cargo do Serviço Nacional de Saúde. O plano é atualizado à medida que mais informação fica disponível – a primeira atualização ao plano foi divulgada a 17 de dezembro de 2020.
O Plano de Vacinação contra a COVID-19 assenta em valores de universalidade, gratuitidade, aceitabilidade e exequibilidade, tendo como objetivos de saúde pública:

  • salvar vidas, através da redução da mortalidade e dos internamentos e da redução dos surtos, sobretudo nas populações mais vulneráveis
  • preservar a resiliência do sistema de saúde, do sistema de resposta e do Estado

Quem desenvolveu o plano de vacinação?

O Plano de Vacinação COVID-19 foi desenvolvido por uma equipa multidisciplinar, criada por despacho do governo.

O plano é dinâmico, evolutivo e adaptável à evolução do conhecimento científico e à calendarização da chegada a Portugal das tranches das diferentes vacinas contra a COVID-19.

Quais são os grupos prioritários para a vacinação?

O plano de vacinação vai sofrendo alterações em função da evolução do conhecimento científico, da situação epidemiológica, das indicações e contraindicações e outras características das vacinas, desde que aprovadas para comercialização na União Europeia, de acordo com parecer positivo da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), e a capacidade de fornecimento das vacinas pelas empresas.
Neste momento, a estratégia de vacinação, com o objetivo de salvar vidas, é a seguinte:

Na fase 1, está recomendada a vacinação, em paralelo, das seguintes pessoas:

  • profissionais, residentes e utentes em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), instituições similares e Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI)
  • 80 ou mais anos de idade
  • 50 a 79 anos de idade com, pelo menos, uma das patologias:
    • insuficiência cardíaca e doença coronária:
      • insuficiência cardíaca
      • miocardiopatias
      • hipertensão pulmonar
      • doença coronária sintomática
      • enfarte agudo do miocárdio
    • insuficiência renal crónica:
      • insuficiência renal em hemodiálise
      • insuficiência renal estadio III e IV
    • doença pulmonar crónica:
      • doença respiratória crónica sob OLD ou ventiloterapia (excluindo as pessoas com síndrome da apneia/hipopneia do sono)
      • doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)
      • bronquiectasias, fibrose quística, fibrose pulmonar
  • 16 ou mais anos de idade e Trissomia 21

Na fase 2, está recomendada a vacinação, em paralelo, das seguintes pessoas:

  • 79 a 16 anos de idade, por faixas etárias decrescentes
  • grávidas com idade ≥ 16 anos
  • 16 ou mais anos de idade com, pelo menos, uma das patologias:
    • neoplasia maligna ativa:
      • neoplasia maligna ativa a fazer ou a aguardar o início de terapêutica antineoplásica sistémica (citotóxicos, imunomoduladores, antihormonas ou terapêuticas dirigidas a alvos moleculares tumorais) e/ou radioterapia
    • transplantados e candidatos a transplante de progenitores hematopoiéticos (alogénico e autólogo) ou de órgão sólido
    • imunossupressão:
      • asplenia
      • asplenia congénita
      • depranocitose
      • síndromes drepanociticos (Hg S/Hg β; Hg S/Hg C)
      • talassémia major
      • VIH/SIDA
      • imunodeficiências primárias
      • pessoas sob terapêutica crónica com medicamentos biológicos16, ou prednisolona > 20mg/dia, ou equivalente
    • doenças neurológicas:
      • esclerose lateral amiotrófica e outras doenças do neurónio motor
      • paralisia cerebral e outras condições semelhantes
      • doenças neuromusculares (incluindo, atrofias musculares congénitas)
      • epilepsia refratária
    • doenças mentais:
      • esquizofrenia
      • doença bipolar grave e outras perturbações graves do espectro da esquizofrenia (psicoses)
    • doença hepática crónica:
      • cirrose hepática
      • insuficiência hepática crónica
    • diabetes abaixo dos 60 anos de idade
    • obesidade IMC ≥ 35kg/m2 abaixo dos 60 anos de idade
    • doença cardiovascular:
      • insuficiência cardíaca
      • miocardiopatias (incluindo cardiopatias congénitas)
      • hipertensão pulmonar e Cor pulmonale crónico
      • doença coronária / enfarte agudo do miocárdio
      • síndrome de Brugada e outras arritmias congénitas
    • insuficiência renal crónica:
      • insuficiência renal em diálise
      • insuficiência renal estadio III, IV e V
    • doença pulmonar crónica:
      • doença respiratória crónica sob OLD ou ventiloterapia
      • doença pulmonar obstrutiva crónica
      • asma grave sob terapêutica com corticoides sistémicos
      • bronquiectasias
      • fibrose quística
      • deficiência de alfa-1-antitripsina
      • fibrose pulmonar (incluindo doenças do interstício pulmonar e pneumoconioses)
    • outras doenças lisossomais

O processo de vacinação irá decorrer ao longo do ano de 2021.

Qual das doenças referidas é tida como prioritária?

A vacinação de pessoas com as doenças de risco identificadas (acima) deve ser efetuada, preferencialmente, por faixas etárias decrescentes, sem prejuízo da vacinação em contextos específicos, como medida de saúde pública.

Não tenho nenhuma destas doenças, mas considero que sou uma pessoa de risco, posso ser vacinada como prioritária?

Em situações excecionais e clinicamente fundamentadas, o médico pode referenciar uma pessoa para vacinação prioritária, com base numa avaliação de beneficio-risco semelhante à das doenças referidas. Para o efeito deve ser emitida uma declaração médica, através da plataforma de Prescrição Eletrónica de Medicamentos (PEM), de acordo com um formulário disponibilizado.

Estou a fazer tratamentos oncológico. Devo adiar ou interromper para tomar a vacina COVID-19?

Nenhum tratamento oncológico, se imprescindível, deve:

  • ser adiado até à vacinação contra a COVID-19, sem prejuízo da vacinação dever ser realizada, preferencialmente, antes do início do tratamento oncológico
  • ser interrompido para a vacinação contra a COVID-19, sem prejuízo das precauções e circunstâncias especiais definidas nas normas da Direção-Geral da Saúde para as vacinas contra a COVID-19

Quais os profissionais envolvidos na resiliência do sistema de saúde e resposta a pandemia e do Estado?

Os profissionais envolvidos na resiliência do sistema de saúde são:

  • prioritariamente: profissionais de saúde em exercício profissional, envolvidos na prestação de cuidados de saúde em contexto prioritário
  • restantes profissionais de saúde envolvidos na prestação de cuidados a doentes e profissionais envolvidos no sistema de resposta à pandemia
  • profissionais envolvidos no transporte de doentes e socorro:
    • Bombeiros, sapadores e voluntários
    • Cruz Vermelha Portuguesa
  • profissionais diretamente envolvidos em serviços de apoio hospitalar e cuidados de saúde primários
  • estudantes do último ano dos cursos de medicina e de enfermagem

Quais os contextos prioritários para os profissionais de saúde?

Enquanto a disponibilidade das vacinas for limitada, a vacinação é priorizada para os profissionais de saúde envolvidos na prestação direta de cuidados de saúde nos seguintes contextos:

  • unidades de cuidados intensivos e intermédios
  • serviços de urgência
  • áreas Dedicadas a Doentes Respiratórios (ADR) nos cuidados de saúde primários e nos serviços de urgência
  • serviços de internamento dedicados a doentes COVID-19 (medicina interna, pneumologia, infeciologia, entre outros)
  • emergência médica pré-hospitalar e transporte de doentes urgentes
  • unidades de transplante
  • serviços de oncologia e hemato-oncologia
  • unidades de diálise
  • unidades de neonatologia
  • unidades de técnicas respiratórias e de gastroenterologia
  • serviços de otorrinolaringologia
  • serviços de anestesiologia
  • blocos operatórios e blocos de partos
  • profissionais envolvidos na colheita e manipulação de amostras respiratórias para o diagnóstico de infeção por SARS-CoV-2
  • serviços de estomatologia e de medicina dentária / saúde oral e clínicas de medicina dentária
  • profissionais das USP e DSP envolvidos nas vistorias de instituições e/ou estabelecimentos e envolvidos na intervenção em Saúde Pública em ERPI e outras instituições com surtos ativos
  • profissionais dos cuidados de saúde primários envolvidos na prestação de cuidados domiciliários
  • profissionais envolvidos na dispensa de medicamentos

A vacinação é obrigatória?

Não. A vacina contra a COVID-19 é voluntária, ou seja, apenas toma a vacina quem o desejar. Contudo, as autoridades de saúde recomendam fortemente a vacinação contra a COVID-19 como meio para controlar a pandemia.

Quantas doses da vacina tenho de tomar?

Neste momento, em Portugal, são utilizadas três vacinas com esquema vacinal de duas doses e uma vacina de dose única.

Como decorre o agendamento da segunda dose?

Em vacinas com o esquema vacinal de duas doses, logo após ter recebido a primeira dose, é informado do agendamento da segunda, de acordo com a indicação do médico ou enfermeiro.

Para ter a máxima proteção é importante que a vacinação, com as duas doses, esteja completa.

O agendamento para a segunda dose deve garantir que a vacina utilizada é da mesma marca, sem prejuízo de indicações específicas constantes nas normas das vacinas contra a COVID-19.

Como é feita a convocatória para a vacinação?

As Administrações Regionais de Saúde (ARS) fazem o mapeamento das pessoas elegíveis em cada região, de acordo com os critérios do plano, e fazem o agendamento e convocatória através de um dos seguintes métodos:

  • envio de SMS automático, através do SClinico, pelas unidades de saúde
  • envio de SMS automático de forma centralizada
  • telefonema ou carta, a realizar pelas unidades de saúde

Posso ser eu a fazer o agendamento para a vacinação?

Sim. Pode fazer o pedido de agendamento através deste site, indicando o local e a data para vacinação mais conveniente para si. Posteriormente, será contacto por SMS pelo número 2424 com mais indicações.

Como posso saber quando vou ser vacinado?

Pode consultar o site COVID-19, área da vacinação, onde pode verificar quando será vacinado e se consta da lista para vacinação na fase atual do Plano de Vacinação COVID-19.

Se considera que tem uma das doenças crónicas abrangidas nesta fase de vacinação e não constar das listas para vacinação, deve contactar a unidade de saúde (pública ou privada) onde a sua doença crónica é acompanhada, solicitando esclarecimento junto do seu médico assistente, para que possa ser incluído nas listas para vacinação.

Em que consiste a modalidade de vacinação “casa aberta”?

Esta modalidade permite que as pessoas com idade igual ou superior a 35 anos possam ir ao centro de vacinação da sua residência, sem qualquer marcação, para que sejam vacinadas. Apenas têm de cumprir os seguintes requisitos:

  • ter idade igual ou superior a 35 anos
  • não ter qualquer agendamento da vacina, nem ter sido vacinado com a 1ª dose
  • não ter tido COVID-19 nos últimos 6 meses

Por decisão da task-force da vacina COVID-19 esta modalidade estará condicionada apenas à utilização da vacina da Janssen.

Não sou seguido no Serviço Nacional de Saúde, como sou notificado?

Relativamente às pessoas que não sejam seguidas no Serviço Nacional de Saúde, e ainda para as pessoas com determinadas doenças, os médicos assistentes devem emitir uma declaração médica, da sua inclusão nas fases 1 ou 2, para permitir o agendamento automático num ponto de vacinação, nos seguintes termos:

  • a declaração médica é emitida eletronicamente através da plataforma de Prescrição Eletrónica de Medicamentos (PEM), de acordo com formulário disponibilizado
  • esta declaração sobrepõe-se a qualquer informação que exista nos sistemas de informação do SNS

Se for vacinado, não preciso de cumprir as restrições?

Mesmo após ser vacinado, deve continuar a cumprir todas as medidas para a prevenção e controlo da transmissão do vírus, incluindo o uso de máscara.

Uma pessoa vacinada só se deve considerar protegida de doença cerca de uma a duas semanas após a vacinação completa com duas doses. Este é o período que dá garantia de uma resposta robusta por parte do seu sistema imunitário.

Desconhece-se ainda se estar vacinado impede infeção assintomática. As vacinas protegem contra a doença, mas não necessariamente contra ser “portador” e transmitir o vírus, sem apresentar sintomas. As máscaras e o distanciamento evitam que possamos infetar outras pessoas caso sejamos “portadores” do vírus sem o saber.

Lembre-se: a COVID-19 transmite-se através de gotículas expiradas pelo nariz ou boca, particularmente ao falar ou tossir. Também pode ser transmitida tocando nos olhos, nariz e boca, após contacto com objetos ou superfícies contaminadas.

Quanto tempo depois da vacinação estou protegido para a COVID-19?

Um vacinado só se deve considerar protegido da doença cerca de uma a duas semanas após a vacinação completa. Este é o período que dá garantia de uma resposta robusta por parte do seu sistema imunitário.

Após a vacinação posso ter infeção assintomática?

Desconhece-se ainda se estar vacinado impede infeção assintomática. As vacinas conferem proteção contra a doença, mas não protegem necessariamente outras pessoas caso sejamos “portadores” e transmissor do vírus, sem exibir sintomas. As máscaras e o distanciamento evitam que possamos infetar outras pessoas caso sejamos “portadores” do vírus sem saber.

Em que locais será administrada a vacina?

Foi organizada uma logística de vacinação a nível nacional, que permite assegurar o fornecimento em todos os pontos do país, utilizando a rede do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e parcerias locais.

A vacinação decorre em lares, instituições similares, hospitais, centros de saúde, e noutros pontos de vacinação autorizados para o efeito.

A vacinação dos residentes, utentes e profissionais dos lares e instituições similares decorreu nas próprias instituições, e as vacinas foram administradas por profissionais de saúde do SNS.

A vacinação dos profissionais de saúde e outros profissionais prioritários decorre no âmbito dos Serviços de Saúde Ocupacional das instituições onde trabalham ou de outros serviços de saúde próprios.

Foi igualmente iniciada a vacinação em centros de vacinação contra a COVID-19, que conseguem vacinar um maior número de pessoas

As pessoas que estão em situação de dependência, mas não institucionalizadas vão ser incluídas nos grupos de vacinação prioritária?

Sim, se detiverem os critérios dos grupos prioritários.

Tenho familiares num lar. Como se procederá à vacinação nesse contexto? Quem é responsável pela vacinação?

Como habitualmente, o Serviço Nacional de Saúde assegura a vacinação nos lares, através das equipas dos centros de saúde que se deslocam a estes locais. Atualmente, já decorreu a vacinação em lares, com exceção daqueles que apresentavam surtos ativos, e que serão vacinados à medida que estas situações se resolvam, de acordo com a avaliação do risco feita pela autoridade de saúde.

Excecionalmente, e para permitir uma melhor gestão do plano logístico, em lares, instituições similares e unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e outros contextos específicos, podem ser vacinadas as pessoas recuperadas de infeção por SARS-CoV-2, após 3 meses desde a notificação da infeção.

Tenho familiares num lar com um surto de COVID-19. A vacinação pode decorrer de forma normal?

Não. A vacinação dos profissionais, residentes e utentes de lares, instituições similares, e unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados nas quais existam surtos de COVID-19 ativos deve ser adiada. As pessoas que não foram infetadas neste surto, devem ser vacinadas, logo que possível, após 14 dias desde o último caso identificado de COVID-19.

As pessoas acamadas e as sem-abrigo também são vacinadas?

Sim. As Administrações Regionais de Saúde, os Agrupamentos dos Centros de Saúde e as Unidades Locais de Saúde devem implementar todas as estratégias locais possíveis para a vacinação com equidade de:

  • pessoas acamadas que integrem os grupos prioritários para a vacinação contra a COVID-19
  • pessoas em situação de sem-abrigo, independentemente da idade, nos locais e/ou instituições onde estas pessoas se concentram, e privilegiando, sempre que possível, a vacinação com vacinas contra a COVID-19 com um esquema vacinal de uma dose

Como se evitarão aglomerações nos pontos de vacinação?

A vacinação ocorre por agendamento, feito pelo centro de saúde, e divide-se em várias fases, conforme o Plano de Vacinação.

Pode ainda fazer o pedido de agendamento através deste site, indicando o local e a data para vacinação mais conveniente para si. Posteriormente, será contacto por SMS pelo número 2424 com mais indicações

Vai ser possível acompanhar em tempo real a execução da campanha de vacinação?

O estado de execução da campanha, em termos do número total de doses administradas, incluindo primeiras e segundas doses, é atualizado diariamente no site do Serviço Nacional de Saúde.

Semanalmente, a Direção-Geral da Saúde publica o relatório que dá conta da cobertura vacinal nacional e por região geográfica e por idade, em Portugal Continental.

Como se processa o registo no boletim de vacinas?

O registo da inoculação será efetuado diretamente no sistema Vacinas, que permitirá que a vacina passe a constar automaticamente:

Quais foram as vacinas que Portugal comprou?

Portugal integra a Estratégia Europeia de Vacinas aprovada em Junho de 2020 e, nesse âmbito, adquire as vacinas no âmbito dos acordos de aquisição antecipada que já foram celebrados entre seis empresas farmacêuticas e a União Europeia, abrangendo vacinas de diferentes tecnologias.

As seis empresas são:

  • AstraZeneca
  • BioNTech/Pfizer
  • Moderna
  • Curevac
  • Janssen
  • Sanofi/GSK

Estão em negociação contratos com outras empresas que poderão fornecer vacinas ao nosso país

As vacinas compradas vão chegar para vacinar toda a população portuguesa?

Portugal já assegurou, dentro dos mecanismos da Comissão Europeia, cerca de 35 milhões de doses de vacinas, suficientes para vacinar todos os residentes em Portugal. Ainda assim, é de sublinhar que as vacinas não chegam todas ao mesmo tempo, ocorrendo a sua entrega e administração de forma faseada, tendo em conta o calendário de distribuição previsto.

Onde foram desenvolvidas as vacinas para a COVID-19?

As vacinas foram desenvolvidas em várias partes do mundo. Mais de um ano depois do SARS-CoV-2 ter sido identificado na cidade chinesa de Wuhan, há vários estudos em curso, e mais de 200 vacinas a serem desenvolvidas, das quais acima de 90 se encontram na fase de testes em humanos (ensaios clínicos).

Em fase mais avançada de ensaios clínicos e segundo a Organização Mundial da Saúde estão 90 vacinas, das quais, e para além das quatro autorizadas, três estão em processo de avaliação contínua na Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

A União Europeia através do Instrumento de Emergência Europeu (ESI) apoiou financeiramente o desenvolvimento e produção das vacinas que contratou, facultando apoios à investigação de outras vacinas.

O desenvolvimento das vacinas não foi demasiado rápido?

Não. A investigação de novas vacinas decorreu imediatamente após a descodificação do genoma do novo coronavírus, no início de janeiro de 2020. Nesta altura, também já se sabia qual era a componente do vírus para a qual uma vacina deveria ser dirigida: a proteína spike – que permite a entrada do vírus nas células humanas.

Para além disso, importa reforçar que as vacinas contra a COVID-19 aprovadas para utilização na União Europeia foram desenvolvidas seguindo os mais elevados padrões, delineados pela Agência Europeia do Medicamento (EMA). Também a nível nacional, o INFARMED, enquanto autoridade reguladora do medicamento, participou e colaborou com as instituições europeias durante todo o processo.

As vacinas são seguras?

Sim. No desenvolvimento e aprovação das vacinas contra a COVID-19, tal como para qualquer outro medicamento, estão a ser garantidas a sua eficácia, segurança e qualidade, através de ensaios clínicos e de uma avaliação rigorosa pela Agência Europeia de Medicamentos.

Nos ensaios clínicos realizados, dezenas de milhares de voluntários foram vacinados e comparados com um número idêntico de voluntários não vacinados. Os indivíduos vacinados foram acompanhados em termos de segurança das vacinas, ao longo de mais de seis semanas. Este é o período em que habitualmente surgem efeitos adversos comuns após a toma de vacinas, não se tendo observado uma frequência ou gravidade destes efeitos que coloque em causa a segurança das vacinas.

As vacinas contra a COVID-19 têm efeitos indesejáveis?

À semelhança de qualquer medicamento, também as vacinas contra a COVID-19 poderão desencadear efeitos indesejáveis. Os efeitos mais frequentes são ligeiros, estão descritos no folheto informativo de cada vacina e incluem:

  • reação no local da injeção
  • dor de cabeça
  • dores musculares ou das articulações
  • febre
  • sensação de cansaço
  • enjoos
  • mal-estar geral

Normalmente estes efeitos resolvem-se espontaneamente no prazo de três dias.

No entanto, se sentir alguns sintomas mais graves e persistentes deve consultar o seu médico de imediato, nomeadamente se sentir falta de ar, dor no tórax, inchaço nas pernas, dor abdominal persistente, dores de cabeça intensas e persistentes (mais de três dias), alterações da visão, pontos vermelhos ou manchas na pele em local distinto do local da injeção.

Qual a diferença na forma de atuação das diferentes vacinas?

Qualquer vacina autorizada na União Europeia demonstra qualidade, segurança e eficácia, tendo em conta o parecer da Agência Europeia de Medicamentos. As principais diferenças entre as vacinas estão na forma como induzem a aquisição de imunidade.

Algumas vacinas irão funcionar de forma tradicional: utilizam componentes do vírus e o sistema imunológico reconhece-as como substâncias estranhas, desenvolvendo defesas contra elas. Outras, designadas vacinas à base de ácidos nucleicos, administram moléculas que transportam informação que permite que o nosso corpo fabrique um componente do vírus, que por sua vez vai levar o sistema imunológico a desenvolver defesas (anticorpos).

Presentemente, não existe informação suficiente que permita considerar que uma vacina é melhor que outra.

Quanto vai custar a vacina contra a COVID-19?

A vacina e a vacinação são gratuitas para a pessoa vacinada.

Como são classificadas as vacinas contra a COVID-19?

As vacinas contra a COVID-19 podem ser classificadas em quatro categorias:

  • vacinas virais – utilizam uma forma do vírus inativada ou enfraquecida, que não causa a doença, mas induz resposta imunitária
  • vacinas com vetores virais – utilizam um outro vírus que foi geneticamente modificado como vetor para a administração de ácidos nucleicos com capacidade de expressar as proteínas do vírus que se quer combater, promovendo a produção de anticorpos para o mesmo
  • vacinas de ácidos nucleicos (RNA ou DNA) – utilizam um ácido nucleico geneticamente modificado para expressar uma proteína que induz a resposta imunitária
  • vacinas à base de proteínas – utilizam proteínas ou péptidos que mimetizam o vírus e induzem a resposta imunitária

Quais as vacinas que estão a ser administradas em Portugal?

Nesta altura estão a ser administradas em Portugal as seguintes vacinas:

  • Comirnaty®
  • Spikevax® (anteriormente designada de COVID-19 Vaccine Moderna®)
  • VAXZEVRIA® (anteriormente designada de COVID-19 Vaccine AstraZeneca)
  • COVID-19 Vaccine Janssen®

Como são administradas as vacinas?

  • Comirnaty: administrada com duas doses, intervalo mínimo de 19 dias, intervalo recomendado de 28 dias, no músculo do braço
  • Spikevax® (anteriormente designada de COVID-19 Vaccine Moderna): administrada com duas doses, intervalo mínimo de 25 dias, intervalo recomendado de 28 dias, no músculo do braço
  • VAXZEVRIA® (anteriormente designada COVID-19 Vaccine AstraZeneca): administrada com duas doses, intervalo mínimo de 21 dias, intervalo recomendado de 8 semanas, no músculo do braço
    • se foi administrada a 1ª dose a uma pessoa que tenha estado infetada por SARS-CoV2, não deve ser administrada a 2ª dose
    • se houver atraso em relação à data marcada para a 2.ª dose, ou, por qualquer intercorrência, não puder ser administrada a 2ª dose, a mesma será administrada logo que possível
  • COVID-19 Vaccine Janssen: administrada com uma dose, no músculo do braço

Posso antecipar a toma da segunda dose da vacina?

O intervalo entre doses, nas vacinas com esquema vacinal de duas doses, pode ser, excecionalmente, antecipado, nas seguintes situações:

  • viagens de comprovada urgência ou inadiáveis, nomeadamente, em caso de necessidade de cuidados de saúde transfronteiriços, representação diplomática ou de estado, missões humanitárias, e obrigações laborais ou académicas devidamente fundamentadas
  • antes do início de terapêuticas imunossupressoras, ou outros atos clínicos devidamente fundamentados

Posso escolher qual a vacina que quero tomar?

Todas as vacinas aprovadas para utilização na União Europeia foram submetidas a uma avaliação rigorosa pela Agência Europeia de Medicamentos, tendo sido garantidas a sua eficácia, segurança e qualidade.

As vacinas contra a COVID-19 aprovadas para utilização na União Europeia são equivalentes. Prevê-se que a vacinação possa decorrer de acordo com as prioridades definidas, de modo a proporcionar acesso à vacina a todas as pessoas que mais dela necessitam, de forma eficiente e de acordo com os dados conhecidos à data

Devo ter alguma precaução antes de ser vacinado?

Sim. Se estiver com febre, tosse, dificuldade respiratória, alterações do paladar ou do olfato não deve ser vacinado e deverá contactar o SNS 24 – 808 24 24 24. Também não deve ser vacinado se estiver em isolamento profilático.

Para além disso informe os profissionais de saúde se:

  • já teve uma reação anafilática a outros medicamentos
  • tem imunodeficiência ou realiza terapêutica imunossupressora (incluindo quimioterapia)
  • tem doenças da coagulação, alteração das plaquetas ou faz terapêutica com anticoagulantes

Em que situações estão as vacinas contraindicadas?

As vacinas estão contraindicadas nos casos de história de hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos seus excipientes, ou reação anafilática a uma dose anterior desta vacina. Nestas situações aconselhe-se com o seu médico.

Quais os cuidados que devo ter após ser vacinado?

Em primeiro lugar, após a vacinação todas as pessoas devem permanecer em vigilância no local da vacinação, durante 30 minutos. Depois disso, e atendendo a que estas vacinas estão a ser administradas pela primeira vez, deverá estar atendo a possíveis efeitos indesejáveis e notificá-los ao INFARMED através do Portal RAM.

Deve ainda continuar a manter as regras de proteção:

  • distanciamento social: manter distância de pelo menos 2 metros
  • etiqueta respiratória:
    • tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir
    • utilizar um lenço de papel ou o braço, nunca com as mãos
    • deitar o lenço de papel no lixo
    • lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir
  • reforçar as medidas de higiene:
    • lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou com uma solução de base alcoólica
    • evitar contacto próximo com doentes com infeções respiratórias
  • usar máscara

O que devo fazer se surgirem reações adversas?

Geralmente, as reações adversas às vacinas são ligeiras e desaparecem alguns dias após a vacinação. Podem surgir:

  • dor ou inchaço no local da injeção
  • fadiga
  • dor de cabeça
  • dores musculares
  • dor nas articulações ou febre

Se tiver febre, pode recorrer à toma de paracetamol.

Se apresentar dor, inchaço ou calor no local da injeção, pode aplicar gelo várias vezes ao dia, por curtos períodos, evitando o contacto direto com a pele.

Todas as reações adversas devem ser notificadas no Portal RAM do INFARMED, para serem monitorizadas. Em alternativa, podem ser utilizados os seguintes contactos:

Em caso de persistência dos sintomas ou se surgir outra reação que o preocupe, contacte o seu médico assistente ou o SNS 24 – 808 24 24 24.

Porque devo vacinar-me para a COVID-19?

Ser vacinado contra a COVID-19 permite proteger-nos individualmente contra a doença e suas complicações.

A vacina vai impedir que tenha COVID-19?

A vacina diminui o risco de contrair COVID-19. Os ensaios clínicos que suportaram a autorização de introdução destas vacinas no mercado envolveram milhares de pessoas e demonstraram que estas vacinas são eficazes na prevenção de COVID-19, bem como em evitar a doença grave e a morte.

Por isso, a vacinação vai desempenhar um papel central na preservação de vidas humanas e no controlo da pandemia.

Posso ser infetado pela vacina?

Não. Não pode ser infetado através da vacina, pois as vacinas não contêm vírus que causam a doença. No entanto, é possível ter contraído COVID-19 nos dias antes ou imediatamente após a vacinação e surgirem os sinais da doença poucos dias depois da vacinação.

As manifestações mais frequentes de COVID-19 são:

  • tosse
  • febre
  • dificuldade respiratória ou falta de ar
  • perda ou alteração do seu paladar/gosto ou olfato/cheiro

Se tiver alguma destas queixas, fique em casa e contacte o SNS 24 – 808 24 24 24.

Fui vacinado contra a gripe, também preciso da vacina COVID-19?

Se for elegível para ambas as vacinas, deve ser vacinado com as duas. Estas devem ser, se possível, administradas separadamente, com um intervalo de pelo menos duas semanas.

Já estive infetado. Preciso mesmo de tomar a vacina?

Os indivíduos que tiveram infeção comprovada por SARS-CoV-2 no passado, têm menor risco de contrair a doença, por isso não foram priorizados para vacinação.

Durante a fase 2 da campanha de vacinação, as pessoas que recuperaram de infeção por SARS-CoV-2, há, pelo menos, 6 meses, podem ser vacinadas contra a COVID-19, por faixas etárias descrescentes. Os 6 meses são contados desde o dia da notificação do caso.

Estas pessoas são vacinadas com uma dose de vacina, independentemente de a vacina ter um esquema vacinal de uma ou duas doses.

As pessoas que recuperaram da infeção por SARS-CoV-2 e que apresentem condições de imunossupressão são vacinadas com duas doses de vacina nas vacinas com esquema vacinal de duas doses e com uma dose de vacina nas vacinas com esquema vacinal de uma dose.

Não sei se já tive COVID-19, posso tomar a vacina?

Não existe evidência que justifique qualquer preocupação de segurança ao vacinar pessoas com história anterior de infeção por SARS-CoV-2 ou com anticorpos contra a COVID-19 detetáveis.

Estou com sintomas sugestivos de COVID-19, posso tomar a vacina?

Não. Para evitar a transmissão do vírus, as pessoas com sintomas sugestivos de COVID-19 ou com infeção por SARS-CoV-2, ou em isolamento profilático, não devem ser vacinadas nem se dirigir aos pontos de vacinação, enquanto estiverem a cumprir o período de isolamento.

O benefício da vacinação de pessoas que apresentem sintomas persistentes após a infeção por SARS-CoV-2 deve ser avaliada caso-a-caso pelo médico assistente.

Tinha a vacinação agendada, mas fiquei em isolamento profilático. Quando posso ser vacinado?

As pessoas em isolamento profilático, em que não seja, entretanto, confirmada infeção por SARS-CoV-2, devem ser vacinadas após o período de isolamento profilático, caso sejam elegíveis para a vacinação.

Tomei a primeira dose da vacina e, entretanto, fui diagnosticado com COVID-19. Devo tomar a segunda dose?

As pessoas que iniciaram a vacinação contra a COVID-19 com uma vacina com esquema de duas doses e que são diagnosticadas com infeção por SARS-CoV-2 após a primeira dose, devem ser vacinadas com uma dose da mesma vacina, após 6 meses da notificação da infeção.

Depois de tomar a vacina, por quanto tempo vou ficar imune?

Neste momento, não é possível avaliar por quanto tempo essa proteção se irá manter, nem se haverá necessidade de administrar uma dose de reforço e qual a sua periodicidade. Esta informação será atualizada assim que mais dados forem ficando disponíveis.

A partir de que idade se pode levar a vacina? As crianças devem tomá-la?

As quatro vacinas atualmente em utilização em Portugal, após aprovação na União Europeia, devem respeitar as regras definidas na campanha de vacinação:

  • pessoas do sexo feminino com idade igual ou superior a 50 anos
  • pessoas do sexo masculino com idade igual ou superior a 18 anos
    • COVID-19 Vaccine Janssen (da Janssen)

As pessoas com menos de 50 anos de idade, que assim o desejem podem ser vacinadas com a COVID-19 Vaccine Janssen®, desde que sejam devidamente informadas sobre os benefícios e os riscos, e concedam expressamente o seu consentimento informado

  • idade igual ou superior a 60 anos
    • VAXZEVRIA® (anteriormente designada COVID-19 Vaccine AstraZeneca)

As pessoas com menos de 60 anos de idade, que assim o desejem podem ser vacinadas com a vacina VAXZEVRIA®, desde que sejam devidamente informadas sobre os benefícios e os riscos, e concedam expressamente o seu consentimento informado

  • idade igual ou superior a 18 anos
    • Spikevax® (anteriormente designada de COVID-19 Vaccine Moderna)
  • idade igual ou superior a 16 anos:
    • Comirnaty (da BioNTech/Pfizer)

As mulheres grávidas e as mulheres a amamentar devem ser vacinadas?

Segundo a norma da Direção-Geral da Saúde, as grávidas com 16 ou mais anos de idade devem ser vacinadas contra a COVID19, com as vacinas recomendadas em Portugal, não sendo necessária declaração médica:

  • a partir das 21 semanas de gestação, após a realização da ecografia morfológica, não existindo idade gestacional limite para o início da vacinação

A vacinação contra a COVID-19 na grávida deve respeitar um intervalo mínimo de 14 dias em relação à administração de outras vacinas, tais como a vacina contra a tosse convulsa (Tdpa) e a vacina contra a gripe.

A vacinação contra a COVID-19 da grávida ocorre, preferencialmente, nos ACES / ULS.

A amamentação não constitui uma contraindicação para a vacinação contra a COVID-19.

Fonte: Direção-Geral da Saúde (DGS)

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