Fatores de risco para o cancro

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O que é um fator de risco?

Um fator de risco é algo que aumenta a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver uma doença. No entanto, apesar de poderem influenciar, não se sabe ao certo de que forma provocam a doença.

Quais os fatores de risco para o cancro?

O cancro, como qualquer outra doença, tem fatores de risco que tornam as pessoas mais suscetíveis ao seu desenvolvimento. Os fatores de risco para o cancro podem dividir-se em:

  • controláveis:
    • exposição ambiental
    • estilos de vida (por exemplo, alimentação e atividade física)
    • infeções por determinados vírus, bactérias ou parasitas
  • não controláveis:
    • idade
    • predisposição genética
    • etnia

A exposição ambiental é fator de risco?

Sim. Todos os dias estamos expostos a agentes nocivos e tóxicos. A exposição prolongada a muitos destes agentes, designados por carcinogénicos, pode aumentar o risco de cancro.

Quais os tipos de agentes carcinogénicos mais comuns?

Os agentes carcinogénicos podem ser divididos em dois tipos:

  • químicos – todos os poluentes atmosféricos a que estamos expostos diariamente, como gases (dos automóveis e das chaminés industriais) e produtos sintéticos (colas, tintas, entre outros), mas também alguns químicos presentes em alimentos processados
  • físicos – a radiação ultravioleta, transmitida pelo sol, a radiação X que é transmitida pelos equipamentos médicos de radiologia e material radioativo existente, por exemplo, nas minas de urânio

O estilo de vida pode ser um fator de risco?

Sim. Está comprovado que estilos de vida saudáveis diminuem a probabilidade de desenvolver cancro. Assim ter estilos de vida incorretos, como maus hábitos alimentares, fumar, ingerir bebidas alcoólicas em excesso e ser sedentário, são considerados fatores de risco elevados para o cancro.

A alimentação é um fator de risco?

Sim. Uma dieta pobre em frutas e legumes, pouco variada e abundante em gorduras e açúcares é um grande fator de risco para o desenvolvimento de várias doenças, incluindo o cancro do estômago e intestino. A obesidade está associada ao cancro devido à multiplicação desordenada e descontrolada das células alteradas.

Uma alimentação saudável é fundamental para a manutenção de um bom estado de saúde e qualidade de vida.

O tabagismo provoca que tipos de cancro?

O consumo de tabaco está associado ao aumento de risco de cancro da cavidade oral, faringe, laringe, traqueia, esófago, pâncreas, pulmão e bexiga.

O alcoolismo provoca que tipos de cancro?

O consumo exagerado e prolongado de bebidas alcoólicas aumenta o risco de cancro de cabeça e pescoço, esófago, fígado, mama e cólon.

As pessoas sedentárias têm maior risco de ter cancro?

Sim. As pessoas sedentárias têm maior risco de desenvolver cancro de mama, do cólon, esófago e do útero. A prática de exercício físico de forma regular e moderada é fator preventivo de várias doenças.

Quais as infeções que são fatores de risco para o cancro?

Alguns estudos na área da oncologia demonstram que as infeções por determinados vírus, bactérias ou parasitas aumentam o risco de determinados tipos de cancro. São exemplos:

  • vírus Epstein-Barr – este vírus provoca a mononucleose e está associado a alguns tipos de linfoma e cancro da cabeça e pescoço
  • vírus da hepatite B e hepatite C – as infeções crónicas por estes vírus causam hepatocarcinoma (cancro do fígado)
  • vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) – a infeção pelo VIH compromete o sistema imunitário, aumentando o risco para vários tipos cancros, nomeadamente, linfomas, sarcoma de Kaposi, entre outros
  • vírus do papiloma humano (HPV) – Alguns tipos deste vírus são classificados de alto risco e são responsáveis pelo desenvolvimento de quase todos os cancros de colo do útero. Este tipo de vírus está ainda implicando nos cancros da orofaringe, vagina, pénis e canal anal
  • helicobacter pylori – a infeção por esta bactéria está associada a um tipo cancro gástrico e ao linfoma de MALT
  • schistosoma hematobium – um parasita presente em África e que está associado ao cancro da bexiga

O envelhecimento é um fator de risco?

Sim. A idade é o principal fator de risco para muitos tipos de cancro, uma vez que o envelhecimento das células origina o desenvolvimento do cancro.
Cerca de um quarto dos novos casos de cancro são diagnosticados em pessoas com idade entre os 65 e 74 anos. Assim, recomenda-se uma vigilância reforçada a partir dos 50 anos.

O que significa ter predisposição genética?

As síndromes de cancro hereditário, são um fator de risco levado, representando cerca de 5 a 10 % de todos os cancros.
Indivíduos que possuem familiares próximos com cancro, especialmente numa idade jovem, podem ter um risco mais elevado de desenvolver a doença. Por exemplo, uma mulher cuja mãe ou irmã tenha tido cancro da mama, tem duas vezes mais probabilidade de desenvolver este cancro do que outra mulher que não tenha a mesma história familiar.

Existem testes para diagnosticar a predisposição genética?

Sim. Os testes genéticos para pesquisa de mutações de cancro hereditário podem ser pedidos pelo médico assistente, em caso de suspeita de síndrome hereditário, e encaminhado para consulta de oncogenética.

Como se pode fazer prevenção do cancro?

Ao evitar fatores de risco como fumar, hábitos alimentares errados, exposição prolongada ao sol e adquirir hábitos de vida saudáveis (como exercício físico regular, alimentação equilibrada, beber água, etc.) pode reduzir-se fortemente o risco de desenvolver certos tipos de cancro. Infelizmente nem todos os cancros podem ser evitados.

No entanto, quanto mais cedo for diagnosticado, maior é a probabilidade de cura. Por esta razão, é tão importante vigiar alterações no seu corpo e realizar regularmente o autoexame da mama, testículos e pele. O seu médico pode, também, aconselhar a realização de exames regulares de rastreio, tais como:

  • mamografia
  • pesquisa de sangue oculto nas fezes
  • exame ginecológico com citologia (papanicolau)
  • toque rectal
  • análises ao sangue
  • entre outros

Para determinar quais os testes mais apropriados para cada pessoa, o médico terá em conta a idade, a história familiar de cancro, a etnia e outros possíveis fatores de risco existentes.

 

Fonte: Sociedade Portuguesa de Oncologia

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