Impacto da COVID-19 na saúde mental

( Atualizado a 12/05/2022 )

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Qual o impacto que a COVID-19 teve nas populações?

A pandemia de COVID-19 teve impacto na saúde global das populações, nomeadamente na saúde mental, como consequência direta da infeção viral, mas também devido às alterações sociais e económicas resultantes em grande parte das medidas adotadas para controlar a disseminação do vírus na comunidade mundial.

Quais os fatores responsáveis por esse impacto?

A pandemia da COVID-19 desencadeou diferentes fatores que afetaram de forma negativa a saúde mental de muitos cidadãos, nomeadamente:

  • medidas de saúde públicas para contenção e controlo da pandemia
  • distanciamento social
  • isolamento
  • sensação de medo e incerteza face ao futuro e à evolução da doença
  • consequências socioeconómicas
  • desemprego
  • perda de rendimento
  • efeitos diretos do vírus no sistema nervoso central

Que problemas da saúde mental se desenvolveram com maior frequência durante a pandemia?

As circunstâncias da pandemia foram responsáveis pelo desenvolvimento de:

  • ansiedade
  • depressão
  • burnout
  • perturbação obsessivo-compulsiva
  • perturbação de stress pós-traumático

Por que razão é importante identificar o impacto da pandemia na saúde mental das populações?

Identificar determinantes de resiliência e vulnerabilidade nesta população, é fundamental para a adoção de medidas que possam mitigar o sofrimento psicológico e promover a saúde mental e o bem-estar da população portuguesa.

Por isso, durante a pandemia foram realizados diversos estudos com o objetivo de avaliar os níveis de sofrimento psicológico na população portuguesa.

Neste contexto, o Departamento de Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, em colaboração com o Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e com a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental desenvolveram um estudo observacional sobre este impacto – SM-COVID-19.

Qual foi a base deste estudo observacional?

Foram consideradas as amostras de residentes em Portugal, com idade igual ou superior a 18 anos e profissionais de saúde com atividade em território português de várias carreiras e categorias profissionais, com recolha de dados entre 22 de maio e 14 de agosto de 2020.

O estudo foi realizado através de questionário estruturado online, autopreenchido (inquérito de base populacional), mais de um quarto dos indivíduos da população geral adulta e cerca de metade dos profissionais de saúde reportam sintomas compatíveis com ansiedade e depressão moderadas a graves, e perturbação de stress pós traumático.

Apesar de a pandemia ser, num primeiro nível, uma crise de saúde física e uma crise socioeconómica, existe o risco de se tornar também numa crise de saúde mental se não forem adotadas medidas preventivas, de monitorização e de referenciação atempada.

Assim, importa pensar em medidas a curto e longo prazo que revertam os impactos negativos da COVID-19 na saúde mental dos cidadãos.

Segundo os resultados do estudo, qual o impacto da COVID-19 na saúde mental da população em geral?

Na população em geral, observaram-se valores elevados no desenvolvimento de problemas ao nível da saúde mental. Destacam-se:

Quais os grupos mais afetados pelos sintomas de sofrimento psicológico?

As percentagens apontaram para uma maior incidência de sintomas de sofrimento psicológico moderado a grave, nas várias das dimensões de saúde mental em:

  • mulheres
  • jovens adultos entre os 18 e os 29 anos
  • desempregados
  • indivíduos com mais baixo rendimento

Que fatores agravaram os impactos da COVID-19 na saúde mental da população em geral?

O sofrimento psicológico, a ansiedade e a depressão moderada a grave da população em geral foram frequentemente associados a:

  • dificuldades de conciliação trabalho-família
  • perceção de falta de apoio social e familiar
  • preocupações sobre o futuro relação a não saberem quando existirá um tratamento ou uma vacina
  • receio de não voltar a ter a mesma forma de vida que antes da pandemia
  • situação económica causada pela pandemia
  • preservação do rendimento
  • dificuldade na manutenção dos estilos de vida e atividades
  • preocupação com a manutenção do trabalho
  • menor resiliência

Que fatores atenuaram os impactos da COVID-19 na saúde mental da população em geral?

Alguns fatores são protetores do bem-estar psicológico e estão associados a um risco diminuído de sintomas de ansiedade, depressão e stress pós-traumático, nomeadamente, a manutenção de:

  • passatempos / hobbies
  • rotinas diárias (na hora de deitar, refeições, trabalho, etc.)
  • atividade física

Qual o impacto da COVID-19 na saúde mental das pessoas em quarentena, isolamento ou já recuperadas?

Destaca-se, dentro da avaliação à população geral, o subgrupo dos indivíduos que estiveram em quarentena, em isolamento ou já recuperados, em que o impacto da COVID-19 na saúde mental foi muito sentido:

Qual o impacto da COVID-19 na saúde mental das pessoas em internamento hospitalar ou cuidados intensivos?

Nos indivíduos infetados que estiveram em internamento hospitalar ou em cuidados intensivos, destaca-se um valor muito elevado: 92% ansiedade moderada ou grave.

A pandemia também teve impacto na saúde mental dos profissionais de saúde?

Sim. Os resultados mostram taxas mais elevadas de problemas de saúde mental nos profissionais de saúde, em relação à população geral:

Note-se que o grupo dos profissionais se destaca pelos níveis de burnout (exaustão física e emocional) mais elevados.

Quais os profissionais de saúde mais afetados pelos sintomas de sofrimento psicológico?

Os impactos negativos na saúde mental, nomeadamente no desenvolvimento de sofrimento psicológico, foram fortemente sentidos na população de profissionais de saúde, com destaque para os que estão a tratar doentes com COVID-19.

Os profissionais de saúde da linha da frente (27% da totalidade dos profissionais de saúde do estudo) apresentam um risco 2.5 vezes mais elevado de sofrimento psicológico em relação àqueles que não tratam doentes com COVID-19.

Quais os fatores que influenciaram a saúde mental dos profissionais de saúde?

Fatores preditores de sofrimento psicológico, variáveis consoante contextos sociodemográficos e profissionais:

  • categoria profissional
  • rendimento
  • contacto regular e presencial com doentes
  • tratar de doentes com COVID-19
  • nível médio/baixo de resiliência
  • dificuldades na conciliação trabalho-família
  • falta de apoio social e familiar
  • preocupações face ao futuro

Onde posso encontrar mais informação sobre a saúde mental durante a pandemia em Portugal?

Durante a pandemia foram realizados vários estudos que permitiram caracterizar a saúde mental da população geral e de grupos específicos em Portugal. Encontra de seguida uma lista não extensiva de alguns desses estudos:

Fonte: Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM) e Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA)

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