Tipos de cancro
Existem vários tipos de cancro?
Sim. O cancro é uma doença caracterizada pela multiplicação anormal de determinadas células, que deixam de responder aos mecanismos que normalmente controlam o seu crescimento e a sua morte.
Essas células podem agrupar-se, formando tumores, e nalgumas situações invadir tecidos próximos ou espalhar-se para outras zonas do organismo através da corrente sanguínea ou do sistema linfático.
Estão identificados mais de 100 tipos de cancro, diferenciados por:
- local de origem
- tipo de célula afetada
- forma como evoluem
Compreender melhor estas diferenças é fundamental para valorizar a prevenção, o rastreio e a deteção precoce da doença.
Quais os tipos de cancro mais frequentes?
Existem alguns tipos de cancro que apresentam uma maior frequência. Em particular, em Portugal e na Europa, e nas mulheres, o cancro da mama é o mais frequentemente diagnosticado, seguindo-se o cancro do cólon e reto e o cancro do pulmão; Já nos homens o cancro da próstata é o mais comum, surgindo depois o cancro do pulmão e o cancro do cólon e reto.
Para além destes, outros tipos de cancro têm também um impacto relevante na saúde da população, como sejam:
- cancro do estômago
- cancro do fígado
- cancro do pâncreas
- cancro da bexiga
- cancro do colo do útero
- alguns cancros da cabeça e pescoço
A ocorrência destes tumores varia de acordo com fatores como:
- a idade
- o sexo
- os hábitos de vida
- outros fatores de risco
Apesar de o cancro continuar a ser uma das principais causas de morte, muitos deles apresentam um melhor prognóstico quando são identificados numa fase precoce. Nestes casos, é frequentemente possível recorrer a tratamentos mais eficazes e menos agressivos, aumentando a probabilidade de cura ou de controlo prolongado da doença.
Como se classificam os tipos de cancro?
Os diferentes tipos de cancro podem ser organizados segundo vários critérios, sendo os mais comuns:
- o órgão ou tecido onde a doença se inicia
- tipo de células envolvidas
Assim, pode falar-se, por exemplo, em cancro:
- mama
- pulmão
- próstata
- cólon e reto
- estômago
- fígado
- colo do útero
A classificação com base no tipo de célula afetada é particularmente importante, pois orienta os profissionais de saúde na escolha dos exames e das opções de tratamento mais adequadas.
Entre os principais grupos de cancro destacam-se os seguintes:
- carcinomas: são os mais frequentes e têm origem nas células epiteliais, que revestem a pele, os órgãos internos e as glândulas. Incluem, entre outros, o cancro da mama, do pulmão, da próstata, do cólon e reto
- sarcomas: desenvolvem-se nos ossos ou nos tecidos moles, como músculos, gordura, vasos sanguíneos e tecidos fibrosos
- linfomas: afetam o sistema linfático, uma parte essencial do sistema imunitário responsável pela defesa do organismo contra infeções e outras doenças
- leucemias: são um tipo de cancro do sangue e da medula óssea, local onde essas células são produzidas
- mieloma múltiplo: envolve os plasmócitos, um tipo de célula sanguínea responsável pela produção de anticorpos
- melanoma: é um tipo de cancro da pele que se origina nos melanócitos, as células que produzem a melanina, pigmento que confere cor à pele.
Esta forma de classificação é fundamental, uma vez que diferentes tipos de cancro podem exigir estratégias de diagnóstico e tratamentos bastante distintos.
Quais os fatores de risco para o cancro?
Nem todas as causas do cancro são conhecidas, mas existem diversos fatores que aumentam a probabilidade de desenvolver a doença. Alguns desses fatores estão relacionados com os hábitos e estilos de vida e podem ser modificados, enquanto outros não podem ser alterados.
fatores modificáveis (dependem em grande parte dos nossos hábitos):
- tabaco: é um dos principais fatores de risco para vários tipos de cancro, especialmente do pulmão, boca, laringe, esófago, bexiga e pâncreas
- álcool: o consumo excessivo de bebidas alcoólicas está associado a cancro da boca, faringe, laringe, esófago, fígado, mama e outros
- excesso de peso e obesidade: aumentam o risco de vários cancros, incluindo mama (após a menopausa), cólon e reto, endométrio, rim e fígado
- alimentação pouco saudável: dietas ricas em carnes processadas, gorduras saturadas e pobres em frutas, legumes e fibras podem aumentar o risco de certos tumores, em particular do aparelho digestivo
- sedentarismo: a falta de atividade física associa-se a maior risco de alguns tipos de cancro e de outras doenças crónicas
- exposição excessiva ao sol e radiação ultravioleta: aumenta o risco de cancro da pele, incluindo melanoma
- exposição a substâncias nocivas: alguns produtos químicos, poeiras e radiações presentes em determinados ambientes profissionais ou domésticos podem aumentar o risco
fatores não modificáveis (não podem ser alterados):
- idade: o risco de cancro aumenta com o envelhecimento, porque ao longo da vida as células acumulam mais alterações
- história familiar e genética: em algumas famílias existe maior predisposição para certos cancros, devido a alterações genéticas herdadas
- sexo: alguns cancros são específicos ou mais frequentes num dos sexos, como o cancro da mama nas mulheres e o da próstata nos homens
Ter um ou mais fatores de risco não significa, necessariamente, que uma pessoa venha a desenvolver cancro, apenas que a probabilidade é maior. Da mesma forma, pessoas sem fatores de risco conhecidos também podem ser diagnosticadas com a doença. Por isso, a vigilância regular e a participação nos programas de rastreio assumem um papel fundamental na deteção precoce.
Quais os sinais para os quais preciso estar alerta?
Os sinais e sintomas do cancro podem variar bastante consoante o tipo e o órgão atingido. No entanto, é importante estar atento a alterações persistentes no corpo, como por exemplo:
- nódulos ou massas que não existiam antes, especialmente na mama, pescoço, axilas, testículos ou noutras zonas
- feridas que não cicatrizam, sobretudo na pele ou na boca
- hemorragias ou perdas de sangue sem explicação aparente (por exemplo, nas fezes, urina ou escarro)
- alterações no hábito intestinal ou urinário que se mantêm ao longo de semanas
- tosse persistente, rouquidão duradoura ou dificuldade em engolir
- emagrecimento involuntário, cansaço extremo ou febre prolongada sem causa identificada
- manchas, sinais ou verrugas na pele que mudam de cor, tamanho ou forma
Estes sinais não indicam necessariamente a presença de cancro, mas justificam observação médica. A deteção precoce permite iniciar o tratamento atempadamente e pode ter um impacto muito significativo na evolução da doença.
É possível prevenir o aparecimento do cancro?
Embora nem todos os tipos de cancro possam ser prevenidos, é possível adotar várias medidas que contribuem para a redução do risco de desenvolver a doença. Por exemplo:
- não fumar e evitar a exposição ao fumo do tabaco
- moderar o consumo de álcool, privilegiando o consumo ocasional ou em quantidades reduzidas
- manter um peso saudável através de alimentação equilibrada e atividade física regular
- aumentar o consumo de frutas, legumes, leguminosas e cereais integrais e reduzir alimentos processados, gorduras saturadas e açúcares
- proteger a pele do sol evitando a exposição nas horas de maior intensidade, usar roupa adequada, chapéu e protetor solar com fator alto
- cumprir o plano nacional de vacinação, incluindo vacinas que protegem contra vírus relacionados com alguns tipos de cancro (como o HPV e o vírus da hepatite B, quando indicadas)
- seguir as orientações dos programas de rastreio organizados, como o rastreio do cancro da mama, do colo do útero e do cólon e reto, quando convocado ou dentro das faixas etárias recomendadas. Participar nos rastreios não significa que exista doença, mas sim que está a ser feita uma vigilância ativa para detetar alterações numa fase inicial, muitas vezes antes de surgirem sintomas
Fonte: Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO)