Cancro do pâncreas
O que é o cancro do pâncreas?
O cancro do pâncreas é uma doença oncológica que se desenvolve no pâncreas, como consequência de um tumor que é formado pelo crescimento anormal e descontrolado de algumas células.
O que é o pâncreas?
O pâncreas é um órgão muito especial localizado na parte superior do abdómen, com o estômago e intestinos à sua frente. Muito próximo dele passam diversos vasos sanguíneos importantes, responsáveis pela irrigação sanguínea de todos os órgãos abdominais.
O pâncreas tem uma função endócrina (produção de hormonas) e exócrina (produção de enzimas para ajudar a digestão). É ainda atravessado pelo canal biliar que conduz a bílis do fígado para os intestinos.
Qual a função do pâncreas no nosso organismo?
O pâncreas tem duas funções principais:
- produção de suco pancreático (líquido claro e alcalino), cujas enzimas (proteínas que catalisam reações químicas) ajudam a digerir os alimentos (função exócrina)
- produção de insulina e outras hormonas envolvidas no controlo metabólico do nosso organismo (função endócrina)
Existem diferentes tipos de cancro do pâncreas?
Sim. No pâncreas podem desenvolver-se vários tipos de tumores malignos
- cancros primários, que têm origem nas células do pâncreas
- adenocarcinoma ductal: o cancro primário mais comum que começa nas principais dos canais que produzem o suco pancreático
- adenocarcinoma acinar: cancro raro que começa em outras células glandulares (as células acinares)
- neuroendócrinos: cancro raro que se inicia em células associadas à produção de hormonas. Estes tumores podem ser produtores de hormonas ou não produtores e têm, habitualmente, muito bom prognóstico
- colóides: cancro raro com bom prognóstico
- cancros secundários ou metastáticos: estes tipos de cancro são muito raros, e caracterizam-se por existir um tumor no pâncreas devido à extensão do cancro de outro órgão
Na avaliação do pâncreas são por vezes identificadas lesões pré-malignas chamadas de Neoplasia Mucinosa Papilar Intraductal (IPMN’s) que pelo seu potencial de evoluir para cancro são em alguns casos propostos para remoção cirúrgica.
Quais são os sintomas do cancro do pâncreas?
Os principais sintomas do cancro do pâncreas são:
- perda súbita de peso, sem explicação
- fadiga
- perda de apetite
- enfartamento
- dor abdominal, habitualmente afetando a parte superior do abdómen e as costas
- pele e olhos de cor amarelada – icterícia
- diabetes diagnosticada em idades pouco habituais
Quais são as causas do cancro do pâncreas?
Apesar de as causas exatas do cancro do pâncreas ainda não serem totalmente claras, existem fatores que facilitam o aparecimento deste tipo de tumor:
- hereditariedade familiar
- pancreatites crónicas de diversas causas
- estilo de vida pouco saudável
- má alimentação
- consumo excessivo de bebidas alcoólicas
- tabagismo
Quais são os principais fatores de risco deste tipo de cancro?
Os principais fatores de risco do cancro do pâncreas são:
- alcoolismo
- tabagismo
- obesidade
- diabetes mellitus
- pancreatite crónica
- presença de síndromes hereditárias, como a Doença de Lynch ou a Doença de Peutz Jeghers
É possível prevenir o cancro do pâncreas?
Infelizmente não existem formas de prevenir o cancro do pâncreas. No entanto, hábitos de vida saudável (alimentação equilibrada, exercício regular) podem ajudar a evitar a exposição a fatores associados a maior risco.
É possível fazer o rastreio do cancro do pâncreas?
Infelizmente não foi possível ainda desenvolver técnicas efetivas para o diagnóstico precoce desta doença. A atenção aos sintomas é fundamental para um diagnóstico mais precoce. Em doentes com história familiar poderá haver indicações para vigilância orientada.
Como se faz o diagnóstico do cancro do pâncreas?
O diagnóstico do cancro do pâncreas é, habitualmente, feito através do exame físico e exames auxiliares. Envolve:
- história clínica completa, com pesquisa de sintomas e antecedentes de cancro do pâncreas e outros tumores associados a síndromes genéticos que aumentam o risco de cancro no pâncreas na família
- realização de exames, como:
- análises laboratoriais ao sangue
- biópsia: remoção de tecido do pâncreas para procura de células cancerígenas
- tomografia axial computadorizada (TAC): imagens detalhadas do pâncreas e órgãos envolventes através da utilização de raios-x
- ressonância magnética (RM): imagens de pormenor do pâncreas e órgãos envolventes, através de um campo magnético onde são usadas ondas de radiofrequência
Qual é o tratamento do cancro do pâncreas?
O tratamento do cancro do pâncreas deve ser adaptado conforme:
- estado de desenvolvimento do tumor
- extensão da doença a outros órgãos
- idade e o estado de saúde do doente
A abordagem terapêutica deve ser individualizada e pode envolver:
- cirurgia: remoção das células cancerígenas que se pretende sejam a totalidade do tumor visível. Em algumas situações poderá ser removido todo o pâncreas o que implica um posterior acompanhamento por equipas multidisciplinares para aplicação de diferentes tratamentos de substituição da função do pâncreas
- radioterapia: utiliza radiação para destruir as células cancerígenas
- terapêuticas sistémicas: medicamentos individuais, ou associações de fármacos que destroem as células cancerígenas (quimioterapia). Mais recentemente têm-se avaliado a possibilidade de aplicação de novos medicamentos que atuam sobre alterações específicas das células tumorais
Como é organizado o tratamento do cancro do pâncreas?
Os doentes com tumores do pâncreas devem ser orientados por equipas multidisciplinares e experientes neste tipo de doença.
É comum para além do tratamento de quimioterapia descrito acima ou das cirurgias, haver necessidade de suplementar ou substituir as funções habituais do pâncreas.
Como o cancro do pâncreas se apresenta, habitualmente, em fases avançadas é necessário o acompanhamento precoce para o tratamento de sintomas (dor, perda de apetite, perda de peso) com a equipa de cuidados paliativos para programas personalizados alimentares e de exercício.
Existem casos em que o tratamento não é eficaz?
Sim. O tratamento não será eficaz quando:
- o cancro está em fase terminal
- o estado geral do doente está muito enfraquecido e incapaz de responder e tolerar os tratamentos acima referidos
Nesta altura, o doente deve ser reencaminhado para os cuidados paliativos, um serviço responsável por traçar um plano de tratamento de sintomas que promova a melhor qualidade de vida possível.
Fonte: Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO)