Hipertensão arterial na criança
A partir de que idade se deve medir a tensão arterial?
A medição da pressão arterial faz parte da vigilância da saúde infantil e deve ser realizada anualmente em todas as crianças a partir dos 3 anos de idade, mesmo quando são aparentemente saudáveis.
Nas crianças com menos de 3 anos, a pressão arterial deve ser medida sempre que existam fatores de risco, como prematuridade, doença renal, doença cardíaca congénita, antecedentes de internamento em cuidados intensivos neonatais ou utilização de medicamentos que possam aumentar a pressão arterial.
As crianças também podem ter a pressão arterial alta?
Sim. Embora a hipertensão arterial seja mais frequente nos adultos, também pode surgir na infância e adolescência.
É uma situação frequente?
Estima-se que aproximadamente 12,8% das crianças e adolescentes entre os 5 e os 18 anos apresentem pressão arterial elevada. A prevalência tem vindo a aumentar nas últimas décadas, sobretudo devido ao crescimento da obesidade infantil, do sedentarismo e dos hábitos alimentares pouco saudáveis.
Quais os valores referência para as crianças?
Ao contrário do que acontece nos adultos, nas crianças até aos 15 anos, não existe um único valor considerado normal.
A pressão arterial varia com:
- a idade
- o sexo
- a altura
Por isso, os valores são comparados com tabelas específicas do percentil da pressão arterial. De forma simplificada:
- normal: abaixo do percentil 90
- pressão arterial elevada: entre o percentil 90 e o percentil 95
- hipertensão arterial: igual ou superior ao percentil 95 em avaliações repetidas
Nos adolescentes com 16 ou mais anos utilizam-se valores de referência semelhantes aos dos adultos.
O percentil refere-se a uma medida estatística que indica a posição do valor da criança numa escala de 0 a 100 em comparação com a população da mesma idade, sexo e altura.
Quais as causas que podem estar associadas?
As causas dependem da idade.
Nas crianças mais pequenas, a hipertensão é frequentemente consequência de outra doença, sendo mais comuns:
- doenças renais
- alterações das artérias dos rins
- doenças cardíacas congénitas
- doenças endócrinas
- alguns medicamentos
Nos adolescentes, a hipertensão é frequentemente do tipo primário (essencial), estando relacionada com:
- excesso de peso ou obesidade
- consumo excessivo de sal
- alimentação pouco saudável
- sedentarismo
- antecedentes familiares de hipertensão arterial
Como se faz o diagnóstico?
O diagnóstico não deve ser estabelecido com uma única medição.
É necessário:
- medir corretamente a pressão arterial, utilizando uma braçadeira adequada ao tamanho do braço e aparelhos validados para utilização em idade pediátrica
- confirmar valores persistentemente elevados, em pelo menos três avaliações distintas
Quando existe dúvida ou para confirmação do diagnóstico, o médico pode solicitar uma Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial (MAPA) durante 24 horas (exame médico que mede e regista a sua pressão arterial de forma automática), que permite excluir situações como a hipertensão da bata branca.
Nas crianças e adolescentes, a avaliação diagnóstica inclui geralmente investigação de causas de hipertensão secundária, mais frequentes do que na população adulta, e a avaliação da presença de lesão de órgãos-alvo.
Os sintomas sãos os mesmos que nos adultos?
A hipertensão arterial na criança, tal como no adulto, geralmente, não provoca sintomas e pode passar despercebida durante vários anos. No entanto, pode ir causando alterações no coração, rins, vasos sanguíneos, olhos e cérebro e aumentar o risco de hipertensão e doença cardiovascular na idade adulta.
Quando a pressão arterial provoca lesões dos órgãos podem surgir sintomas como:
- dor de cabeça
- tonturas
- alterações da visão
- hemorragias nasais
- náuseas ou vómitos
- cansaço/fadiga
Valores muito elevados constituem uma urgência médica e podem provocar convulsões ou alterações do estado de consciência.
Quais as complicações da hipertensão arterial nas crianças?
Sem tratamento, a hipertensão arterial pode provocar lesão progressiva de vários órgãos, nomeadamente:
- coração (aumento da espessura do músculo cardíaco)
- rins
- artérias
- olho (retina)
- cérebro
Além disso, as crianças hipertensas apresentam maior probabilidade de manter hipertensão na idade adulta, aumentando o risco de enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência renal.
Como se trata?
O tratamento depende da causa da hipertensão e da gravidade dos valores.
Em todas as crianças são recomendadas medidas de estilo de vida:
- manter um peso adequado
- praticar atividade física regularmente
- reduzir o consumo de sal
- privilegiar uma alimentação equilibrada, rica em fruta, legumes e cereais integrais
- evitar bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados
- promover um sono adequado
- evitar a exposição ao tabaco
Quando estas medidas não são suficientes, quando existe uma causa identificada ou quando a hipertensão é mais grave ou já provocou lesões dos órgãos, pode ser necessário iniciar medicação anti-hipertensora, sempre sob orientação médica.
Fonte: Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH)