Ir para o conteúdo
Logótipo do Serviço Nacional de Saúde 24
|
Doença celíaca

O que é a doença celíaca?

A doença celíaca, ou enteropatia sensível ao glúten, é uma doença crónica que desencadeia uma reação imunológica de inflamação do intestino delgado, após a ingestão do glúten na dieta.

Existem formas diferentes de sensibilidade ao glúten e ao trigo que não são doença celíaca:

  • sensibilidade ao glúten não-celíaca: geralmente os sintomas, como a dor e/ou inchaço abdominal, alterações intestinais, entre outros, começam algumas horas ou dias após a ingestão de glúten
  • alergia ao trigo: os sintomas começam minutos a horas após a ingestão de trigo e podem incluir manifestações de alergia grave (anafilaxia) com dificuldade a respirar, tosse, inchaço da boca e língua

O que é o glúten?

O glúten é um conjunto de proteínas que se encontra em cereais como o trigo, a cevada, o centeio e às vezes na aveia.

Quais são as causas da doença celíaca?

A doença celíaca é uma doença autoimune, cuja origem pode estar no cruzamento de três fatores:

  • ambientais, por exemplo pela quantidade de glúten existente na alimentação das crianças
  • imunológicos, por reação imunológica inapropriada do organismo ao glúten
  • genéticos

Em que idade se manifestam os primeiros sintomas?

A doença celíaca pode manifestar-se em qualquer idade, desde que o glúten já tenha sido introduzido na alimentação.

O habitual é surgir entre os 6 e os 24 meses de idade, algum tempo após a introdução de alimentos com glúten na alimentação (papas, pão, bolachas, entre outros).

Quais são os sintomas da doença nas crianças?

Os sintomas são variados, podendo envolver vários órgãos e não só o trato gastrointestinal.

Em crianças, os sintomas mais comuns da doença são os sintomas gastrointestinais:

  • diarreia crónica (as fezes costumam ser volumosas e malcheirosas e flutuar)
  • prisão de ventre
  • falta de apetite
  • distensão abdominal
  • dor abdominal
  • vómitos (por vezes)

Podem surgir outros sintomas não gastrointestinais, menos comuns:

  • atraso no crescimento, perda ou aumento de peso insuficiente
  • atraso da primeira menstruação (menarca)
  • anemia por deficiência de ferro
  • alterações do esmalte dentário
  • dores articulares
  • cansaço crónico
  • manifestações na pele, com bolhas e comichão (dermatite herpetiforme)
  • aftas recorrentes na boca
  • alteração do comportamento (agressividade, alterações do humor)
  • ansiedade, depressão, problemas do sono
  • dor de cabeça recorrente

Os adultos podem ter outros sintomas diferentes?

Nos adultos, esta doença apresenta-se muitas vezes de forma diferente e com queixas gastrointestinais passageiras. Além dos sintomas descritos nas crianças, podem apresentar também:

  • pequenas bolhas vermelhas na pele (dermatite herpetiforme, mais comum nos adultos que nas crianças)
  • alterações hormonais que podem alterar a fertilidade e menopausa precoce
  • défices de vitamina e cálcio abortos recorrentes
  • osteoporose prematura

Quais são as complicações da doença celíaca?

Quem tem esta doença, desencadeia uma série de respostas do sistema de proteção do nosso organismo (sistema imunológico) contra o próprio intestino após ingestão de glúten, que modificam a sua camada interna da parede do intestino (mucosa) e provocam consequências, como:

  • diminuição da absorção de nutrientes
  • aumento do risco de outras doenças, como:
    • osteoporose
    • linfoma intestinal

Quais são os grupos de risco desta doença?

Os principais grupos de risco, para os quais pode estar indicado o rastreio, são:

  • familiares diretos (1º grau de parentesco)
  • pessoas com:
    • diabetes mellitus (tipo 1)
    • inflamação da tiroide (tiroidite autoimune)
    • doença inflamatória crónica que envolve as articulações (artrite idiopática juvenil)
    • inflamação no fígado que gradualmente danifica as células do fígado (doença do fígado autoimune)
    • síndromes genéticos: Down, Turner, Williams

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico consiste na identificação de sintomas que levantam a suspeita da doença e tem por base:

  • testes (sorológicos) para confirmar a presença de anticorpos (anti-gliadina, anti-transglutaminase, anti-endomísio)
  • biopsia ao intestino, necessária a maior parte das vezes para confirmação de diagnóstico
  • testes genéticos, podem ser úteis em caso de resultados discordantes

Não é recomendado fazer qualquer restrição alimentar antes da confirmação do diagnóstico, evitando-se, desta forma, diagnósticos inconclusivos e consequente prejuízo para as pessoas.

Qual é o tratamento para a doença celíaca?

O tratamento da doença celíaca passa exclusivamente por uma dieta sem glúten, permitindo a regeneração da mucosa do intestino. Até à data, não existe um tratamento farmacológico para esta doença.

É igualmente essencial ter uma alimentação completa, variada e equilibrada que forneça ao organismo todos os nutrientes necessários.

Existe alguma forma de evitar a doença celíaca?

Existem formas de anular os sintomas da doença, mas não de evitar o seu aparecimento.

A Sociedade Europeia de Gastroenterologia e Nutrição Pediátrica (ESPGHAN) aconselhou que a introdução do glúten na alimentação da criança não seja feita antes dos 4 meses. De preferência devem introduzir-se alimentos com glúten até aos 7-12 meses e devem evitar-se quantidades elevadas nas primeiras semanas após a introdução de glúten na dieta, e também na infância.

A amamentação também parece ter um efeito protetor, e mantém-se a recomendação de aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses.

A doença celíaca é reversível?

Não. No entanto, apesar de a doença se manter, se seguir uma dieta sem glúten, os sintomas podem ser quase insignificantes e o intestino pode recuperar da sua inflamação completamente.

Uma pessoa que “já não sofre de doença celíaca” pode ter sido sempre um “falso celíaco”. Na maior parte dos casos, pode não ter havido um diagnóstico correto à priori.

Guardar:
Esta informação foi útil?
This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.

Assuntos relacionados